Quaresma e Ronaldo. Uma aliança que ainda rende

Extremo já ofereceu sete golos a CR7 desde que voltou à seleção com Fernando Santos. Uma história que começou no Sporting.

São já sete as assistências de Ricardo Quaresma para golo de Cristiano Ronaldo, desde que o extremo do Besiktas voltou à seleção pela mão de Fernando Santos em 2014. Os números exemplificam a importância do jogador a quem chamam Harry Potter, tendo em conta que não tem sido titular absoluto. No total são 13 passes para golo e nove feitos na condição de suplente utilizado. Os últimos dois foram frente ao Egito, na sexta-feira. Quaresma saltou do banco perto do final do jogo, numa altura em que Portugal perdia (1-0), mas ainda a tempo de servir o capitão para a reviravolta (2-1). No final explicou assim: "Faço o meu trabalho."

Quaresma nunca escondeu a azia por não ser titular, mas cada vez mais ganha o estatuto de arma secreta, pela forma como consegue descobrir o caminho até... Ronaldo. O capitão tem aproveitado e de que maneira os passes do amigo.

A recente aliança goleadora na seleção começou logo no primeiro jogo oficial da era Fernando Santos. Na Dinamarca, o extremo do Besiktas saltou do banco aos 90+4 minutos para servir CR7 para o golo da vitória aos 90"+5" - Portugal já não vencia em terras nórdicas desde 1977. Foi a primeira de sete assistências para o melhor do mundo. Depois repetiu com a Estónia (7-0), a Hungria (3-3) no Euro 2016, Andorra (6-0), Letónia (4-1 e 3-0) e anteontem diante do Egito (2-1)

Como a história do futebol se faz de golos e dos seus autores, os donos das assistências para golo permanecem quase sempre na sombra. Talvez por isso o número de assistências totais do mágico para o amigo do Real varie conforme a fonte. Certo é que, pelo menos, nove dos 81 golos de CR7 na seleção foram oferta de Ricardo Quaresma, que nos 72 jogos pela equipa nacional fez 16 assistências.

Ambos se estrearam pela seleção em 2003, mas uma lesão grave tirou Quaresma do Euro 2004 e viria depois a falhar o Mundial. Nesta altura Ronaldo já brilhava e afirmava-se como o melhor do mundo. E só em 2007 a dupla voltou a fazer estragos. Foi na casa de partida, em Alvalade, a 24 de março de 2007, frente à Bélgica (4-0), no apuramento para o Euro 2008, que o extremo ofereceu o primeiro golo a CR7. Nesse jogo, além da assistência para CR7, o mustang fez um golo de trivela que correu mundo.

Amizade à prova de distâncias

A aliança made in Sporting já dura desde 2003. Foi nas camadas jovens que os dois internacionais portugueses se formaram à medida que a rivalidade também crescia. "Quando um brilhava o outro não queria ficar atrás. Se um fazia golo, o outro também queria marcar e mais bonito, com as fintas e os dribles a mesma coisa, mas era tudo saudável, não era uma rivalidade má", recordou Lourenço, antigo avançado do Sporting que jogou com ambos em Alvalade e nas seleções jovens durante anos.

Nessa altura, o agora extremo do Besiktas ainda não tinha aprimorado a trivela, mas "já cruzava de forma diferente e igualmente eficaz", segundo Lourenço, lembrando que havia alturas em que ele levava a missão "de servir" o avançado muito a sério. Ele próprio ainda aproveitou essa arte, principalmente nas seleções jovens: "Sempre foi um jogador que gostava mais de assistir do que fazer golos, mas quando marcava ficava muito contente. Na altura não servia muito o Ronaldo porque ambos jogavam nas alas..."

Depois um saiu para o Barcelona e o outro para o Manchester United. As carreiras não se cruzaram a não ser ao serviço da seleção nacional.

A sintonia que revelam em campo é reflexo da amizade que perdurou no tempo, resistindo às distâncias e a um ou outro afastamento temporário. Na opinião de Lourenço, isso também ajuda ao sucesso da dupla: "O avançado vive de golos e quando tem alguém que lhe coloque a bola a jeito melhor, mas não há servidores preferidos. A verdade é que, na seleção, o Quaresma e o Ronaldo jogam praticamente de olhos fechados, o Ronaldo já sabe quando o Quaresma vai cruzar e o Quaresma também sabe como o Cristiano se move na área. Ele levanta sempre a cabeça antes de cruzar à procura do CR7. Por isso o sucesso é quase sempre certo."

E não se iluda quem pense que os lances são fruto do acaso. "Combinam os lances fora de campo de certeza, eles falam muito durante o estágio e basta ver pelas fotografias, nos treinos. Observam-se taticamente, as movimentações, as abordagens aos lances, o posicionamento na área, no caso de CR7. Depois é analisar o jogo e ser perspicaz a antecipar os lances para que tudo saia na perfeição", elogiou.

O ex-leão nunca mais esqueceu um jogo com a Inglaterra, nos sub-21, que Portugal venceu graças aos " dois endiabrados" que jogavam nas alas: "Levaram a defesa inglesa ao desespero."

Mas será que a aliança com CR7 dá vantagem a Quaresma para o Mundial? "Não me parece. Claro que as assistências são um fator importante, mas para mim ele estará sempre em vantagem, pela época que está a fazer, pelo que tem produzido na seleção, pelo que fez no Euro 2016, pela qualidade e pelo jogador que ainda é aos 34 anos e que pode muito bem ajudar a seleção no Mundial", elogiou Lourenço.

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