Marcel Hirscher consegue o título que lhe faltava

O austríaco Marcel Hirscher, por muitos considerado o melhor esquiador da atual geração, chegou, finalmente, ao título olímpico, num dia em que os Jogos de Inverno PyeongChang2018 tiveram o primeiro caso de doping.

Hirscher, de 28 anos, já levava no currículo seis títulos em Taças do Mundo, mas hoje chegou o momento que todos diziam que lhe faltava, o da consagração olímpica, ao vencer a prova de combinado em esqui alpino, à frente dos franceses Alexis Pinturault (prata) e Victor Muffat Jeandet (bronze).

Em Sochi, há quatro anos, Hirscher contentou-se com o segundo lugar, atrás do seu compatriota Mario Matt.

A proeza de hoje coloca ainda Marcel Hirscher junto de esquiadores como os noruegueses Kjetil Andre Aamodt e Lasse Kjus e os norte-americanos Bode Miller e Ted Ligety, os únicos da história a juntarem os títulos mundiais do combinado, ao título olímpico.

"Todos esperavam que ganhasse a medalha de ouro. No meu país o esqui é algo muito importante e todos diziam: a tua carreira está a ser boa, mas falta-te o ouro olímpico", disse no final o austríaco.

O dia em PyeongChang ficou, no entanto, marcado pelo primeiro caso de doping, a envolver o patinador japonês Kei Sato, da equipa de pista curta, e que o obrigou a abandonar as instalações da aldeia olímpica.

O Tribunal Arbitral do Desporto, deslocado para a cidade sul-coreana, à semelhança do que já fizera nos Jogos Olímpicos de verão no Rio2016, explicou que Sato "acusou positivo para acetalozamida, um produto diurético considerado mascarante, numa análise fora de competição".

O japonês clama inocência e diz estar chocado com o resultado recolhido de uma análise feita em 04 de fevereiro, já na aldeia olímpica.

Entretanto, na competição o dia foi de glória para a jovem norte-americana, de origem sul-coreana, Chloe Kim, que chegou ao título olímpico aos 17 anos, sem ter que esperar tanto quanto Kirscher.

Kim venceu a prova de half pipe, de snowboard, na sua primeira participação olímpica, levando ao delírio não só os adeptos norte-americanos, mas também os locais, devido à sua ascendência. Em Sochi tinha apenas 13 anos e era inelegível para competir, devido à idade.

A snowboarder tem longo caminho pela frente e os Jogos de Pequim2022 já prometem muito, à semelhança do futuro que pode esperar o norueguês Johannes Klaebo, que hoje, aos 21 anos, venceu a prova de esqui de fundo (sprint individual), o mais jovem a fazê-lo, superando o registo do sueco Gunde Svan (22 anos), nos Jogos de 1984.

Finalmente, o dia que deu ainda títulos a Natalie Geisenberger (Luge), Kjeld Nuis (1.500, patinagem de velocidade), Arianna Fontana (500 metros, pista curta) e Stina Nilsson (esqui de fundo), também deu ao Canadá o primeiro ouro olímpico de curling misto, uma nova variante nos Jogos.

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