Portugueses alcançam cinco finais nos Europeus

A seleção nacional só falhou duas finais durante o primeiro dia de provas. Fernando Pimenta tenta hoje terceiro título europeu

Os portugueses brilharam no primeiro dia dos Campeonatos da Europa de canoagem, que se realizam em Belgrado, na Sérvia, pois alcançaram cinco finais em sete possíveis nas diversas provas em que participaram.

Fernando Pimenta foi um dos cabeças de cartaz da seleção nacional, pois começou por garantir diretamente a final do K1 1000 metros logo na primeira eliminatória, por ter sido o mais rápido em prova. Duas horas depois, o canoísta do Benfica voltou a assegurar a única vaga direta para a final nas eliminatórias de K1 500 metros, pois voltou a fazer o melhor tempo. Este sábado de manhã, a partir das 9.16 horas, Pimenta vai tentar chegar ao terceiro título europeu consecutivo em K1 1000 metros, enquanto domingo (10.21 horas) será a vez de tentar também o ouro nos 500 metros.

No setor feminino, as canoístas Teresa Portela e Joana Vasconcelos ficaram em terceiro lugar na eliminatória de K2 500 metros e garantiram a final da prova, este sábado, onde vão vão tentar chegar às medalhas.

A embarcação portuguesa de K4 500 metros, composta por João Ribeiro, Messias Baptista, Emanuel Silva e David Varela, também vai lutar pelo pódio, pois apesar de ter falhado o acesso direto nas eliminatórias, conseguiu nas meias-finais a qualificação para a final de domingo. Na categoria C2 1000 metros, os canoístas Bruno Afonso e Marco Apura também se apuraram para a final também através das meias-finais.

Menos sorte teve o K4 500 metros de Teresa Portela, Joana Vasconcelos, Francisca Laia e Márcia Aldeias, que não conseguiram melhor que o quarto lugar na meia-final que disputaram, tendo sido eliminadas porque cortaram a meta com apenas mais 0,480 segundos que a embarcação da Sérvia, que acabou por ser a última apurada da série.

Já Hélder Silva não foi além do sexto lugar na meia-final de C1 500 metros, tendo por isso ficado desde logo fora da luta pelas medalhas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.