Portugal no mata-mata. Estes são os mais emocionantes de sempre

Este sábado começa a fase a eliminar do Mundial 2018. E nos jogos do tudo ou nada já houve jogos com chuva de golos

O Mundial 2018 entra esta sábado na fase do mata-mata, no qual quer perder regressa a casa. O Portugal-Uruguai é um dos jogos que irá prender a atenção de quem gosta de futebol, mas neste tipo de partidas é habitual dizer-se que as seleções arriscam pouco por causa do medo de perder, razão pela qual o normal é haver poucos golos.

Só que a história dos Campeonatos do Mundo está repleta de jogos que desmentem essa teoria. E um deles é o famoso Portugal-Coreia do Norte do Mundial de 1966, em Inglaterra, que teve oito golos. Foi um jogo em que o público que encheu o Goodison Park, em Liverpool, ficou rendido à classe de Eusébio.

Quando aos 25 minutos, os norte-coreanos fizeram o 3-0, poucos vaticinariam que a equipa das quinas desse a volta ao resultado, mas Eusébio arrancou para uma exibição de sonho, com quatro golos seguidos que deram a cambalhota no resultado, tendo José Augusto fechado as contas de um jogo para a história.

1954: chuva de golos debaixo de 40 graus

O jogo de mata-mata com mais golos num Campeonato do Mundo foi um Áustria-Suíça, no Mundial de 1954, disputado na cidade de Lausanne. Os termómetros marcavam 40º naquela tarde de final de junho, mas o calor não foi impeditivo para que se marcassem 12 golos, numa partida dos quartos-de-final.

Levaram a melhor os austríacos, com um triunfo por 7-5, beneficiando da inspiração do avançado Theodore Wagner. Mas nada fazia prever que a Áustria conseguisse bater a seleção anfitriã, que aos 23 minutos vencia por 3-0. Só que até ao intervalo os austríacos viraram o jogo a seu favor chegando aos 5-3, confirmando o triunfo no final com mais dois remates certeiros para cada lado.

1938: Leónidas de pé descalço deu a volta à Polónia

Estrasburgo foi o palco do segundo jogo com mais golos da história dos jogos a eliminar dos Mundiais. Polónia e Brasil discutiam um lugar nos quartos-de-final do Mundial de 1938 e marcaram onze golos. Seis para os brasileiros e cinco para os polacos.

E tudo começou com um episódio inacreditável, pois as duas seleções usavam equipamentos brancos e o sorteio ditou que os brasileiros tinham de jogar de outra cor... como ainda não havia equipamentos alternativos, tiveram de ir comprar camisolas azuis... foi a primeira vez que o Brasil jogou de azul.

No campo, os polacos contaram com um irresistível Ernest Wilimowski, autor de quatro golos naquele que foi o seu único jogo em Campeonatos do Mundo. Só que do outro lado estava Leónidas, que marcou três golos, dois deles no prolongamento, após 4-4 no tempo regulamentar. Curioso, é que o último golo da estrela brasileira foi marcado com o pé... descalço.

1958: Nove golos para o terceiro lugar

O jogo considerado mais desinteressante dos Mundiais é o de atribuição do terceiro lugar, pois enfrentam-se duas equipas frustradas por terem perdido a oportunidade de chegar à final. Só que em 1958, em Gotemburgo, houve nove golos para todos os gostos.

A França venceu a Alemanha por 6-3 perante 33 mil pessoas e milhões a ver pela televisão um autêntico festival de ataque onde sobressaiu o francês Just Fontaine, que marcou quatro golos, que consumaram a sua coroação como melhor marcador do torneio, com 13 remates certeiros. Aliás, os franceses marcaram 23 golos durante este Mundial.

De Mussolini ao Mineiraço

Na história dos jogos a eliminar nos Mundiais há, além do Portugal-Coreia do Norte, mais três que tiveram oito golos.

O primeiro dos quais foi em 1934, em Roma, quando a Itália mandou para casa os Estados Unidos, com um 7-1, nos oitavos-de-final. Angelo Schiavio, com três golos, foi a figura de uma partida que ajudou o ditador Benito Mussolini a difundir ainda mais as suas ideias fascistas, que na altura deu um cariz político muito grande ao Mundial que a Itália organizou e ganhou.

No Mundial seguinte, em 1938, houve um 8-0 nos quartos-de-final, com a Suécia a esmagar Cuba, na sua única participação em Campeonatos do Mundo e na ronda anterior tinha afastado surpreendentemente a Roménia. Em Toulouse, Tore Keller com três golos colocaram a nu as fragilidades cubanas.

Mas o escândalo mais recente ficou conhecido como Mineiraço, depois de numa das meias-finais do Mundial 2014, disputada em Minas Gerais, o anfitrião Brasil foi humilhado pela Alemanha, por impensáveis 7-1. Um jogo deixou o Brasil lavado em lágrimas e que entrou para a história do futebol.

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