Polícia: 560 menores foram vítimas de abusos sexuais no desporto britânico

Megainvestigação aponta para centenas de casos em várias modalidades, em especial no futebol

A polícia britânica calculou hoje em 560 o número de alegadas vítimas de abusos sexuais de menores no desporto do país, em especial no futebol, acrescentando que identificou 252 suspeitos.

De acordo com o Conselho Nacional de Chefes de Polícia (NPCC na sigla em inglês), órgão que coordena as forças policiais locais, 96 por cento das vítimas são do sexo masculino, com idades compreendidas entre os quatro e os 20 anos.

Ainda de acordo com a NPCC, os casos foram identificados em 311 clubes de futebol amadores e profissionais.

A investigação policial em curso sobre abusos sexuais recebeu já 1.432 denúncias, que incluem também modalidades como râguebi, ginástica, artes marciais, ténis, luta, golfe, vela, atletismo, críquete e natação.

Os abusos sexuais de menores em investigação foram perpetrados ao longo de mais de duas décadas e envolvem variados escalões.

Recentemente, a polícia britânica deteve um homem de 70 anos no âmbito da investigação em curso, suspeito de "indecência com crianças" e "agressão indecente".

O processo foi desencadeado por declarações do ex-futebolista Andy Woodward, que admitiu ter sido molestado sexualmente em criança, quando jogava no modesto Crewe Alexandra.

O desabafo de Andy Woodward foi secundado por outros ex-futebolistas ingleses, que apontaram ainda o nome do 'olheiro' Eddie Heath, já falecido, que integrou a equipa técnica do Chelsea na década de 70, como um dos abusadores.

Em novembro, o presidente da federação, Greg Clarke, assumiu que esta era a "maior crise" de sempre do futebol inglês, prometendo como "prioridade" da FA evitar que haja uma "nova geração de vítimas" de abusos sexuais nos escalões de formação do país.

"Quero deixar claro que partilho a dor das vítimas. Vamos investigar estes casos para que não haja uma nova geração de vítimas e para que aqueles que sofreram recebam uma verdadeira ajuda", disse.

A este propósito, também o presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu que os agentes do futebol devem reforçar a vigilância relativamente ao fenómeno do abuso sexual de menores para "prevenir a ocorrência futura de qualquer caso".

No entender do líder da FIFA, aqueles que sejam considerados culpados devem ser objeto de "uma punição muito severa".

"Têm de ser irradiados do futebol, sobre isso não há nenhuma dúvida. Mas também no plano criminal têm de ser sancionados", reforçou.

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