Penta de Ronaldo coloca Portugal no topo das Bolas de Ouro

CR7 acertou contas com Messi e fez Portugal igualar Holanda e Alemanha como países com mais troféus da France Football

Na era a.C. (antes de Cristiano), o futebol português conquistou duas Bolas de Ouro (Eusébio e Figo) celebradas com a grandiosidade de uma epopeia rara para um país periférico na cena futebolística internacional. Na era d.C. (depois de Cristiano), o épico tornou-se normal, com os feitos de Cristiano Ronaldo a carregarem Portugal até ao topo, sem ter de olhar envergonhado para as potências do futebol mundial. Isso voltou a ficar demonstrado ontem em plena Torre Eiffel, em Paris, onde o futebolista madeirense recebeu a sua quinta Bola de Ouro atribuída pela revista France Football, fazendo que Portugal tenha igualado Alemanha e Holanda como os países que mais vezes viram futebolistas seus reconhecidos pelo mais antigo prémio de melhor jogador - sete.

Nove anos depois de ter recebido a sua primeira Bola de Ouro, Cristiano Ronaldo fez ontem o penta, acertando contas com o rival Lionel Messi - com quem em outubro passado tinha já empatado também em distinções nos prémios FIFA, que desde o ano passado voltou a separar-se deste, depois de seis temporadas (2010-15) em comunhão.

De resto, o pódio do prémio da France Football plasmou aquele de há menos de dois meses, com o argentino do Barcelona em segundo e o brasileiro Neymar em terceiro, comprovando que a hierarquia do futebol atual é largamente consensual, seja a votação restringida a jornalistas (como foi o caso deste prémio) ou alargada também a treinadores e jogadores (no caso da FIFA).

O anúncio da vitória de Cristiano Ronaldo ontem fez-se pouco depois das 19.00 em Portugal, quando a realização da cerimónia desvendou a figura do avançado do Real Madrid e da seleção nacional, de costas, no meio da Torre Eiffel, a segurar o troféu. Mas nenhum esforço de realização conseguiria incutir suspense a um dos triunfos mais esperados de sempre, como de resto provou a fuga que espalhou pelas redes sociais uma imagem de umas novas botas da Nike para o craque português, já alusivas à quinta Bola de Ouro.

A revelação dos números finais da votação confirmou isso mesmo. Tal como acontecera nos prémios The Best da FIFA, Cristiano Ronaldo voltou a ganhar por larga margem também neste galardão criado em 1956 e idealizado pelo jornalista francês Gabriel Hanot (a quem é creditada também a génese da Taça dos Campeões Europeus, entre outras coisas), inicialmente para eleger o melhor futebolista europeu (até 1995). O internacional português recebeu 946 votos, com mais 276 do que Messi (670), enquanto Neymar se ficou pelos 361, nesta eleição levada a cabo por mais de 190 jornalistas de todo o mundo.

Os feitos de Cristiano Ronaldo ao longo do ano de 2017 (a Bola de Ouro premeia o ano civil, o The Best distingue agora a época desportiva) não permitiam grande discussão, depois de o internacional português ter conquistado a Liga espanhola, a Liga dos Campeões pelo segundo ano consecutivo, a Supertaça Europeia, a Supertaça espanhola, ter sido o melhor marcador da Champions com 12 golos (dois deles na final), entre um total de 38 golos em 46 jogos pelo Real ao longo do ano e 11 em 11 com a camisola de Portugal. Um dia antes da entrega do prémio, fez questão de o dourar com ainda mais um feito, proporcionado por um golaço ao Borussia de Dortmund: o primeiro jogador a marcar golos em todas as jornadas da fase de grupos da Liga dos Campeões.

Que a luta com Messi continue

Na capa da France Football a ser publicada hoje, é anunciada uma entrevista em que Cristiano Ronaldo diz ser o melhor jogador da história (é pelo menos esse o título revelado). Ontem, na cerimónia com palco no mais emblemático monumento de Paris, o português igualou então Lionel Messi no topo dos jogadores mais premiados de sempre e voltou a colocar a bola ao centro neste duelo que se prolonga há uma década. Entrevistado pelo antigo futebolista francês David Ginola, o mestre-de-cerimónias, o Ronaldo admitiu que a disputa com o argentino será uma motivação subconsciente, mas garantiu que a luta principal é consigo próprio.

De resto, disse esperar poder continuar a discutir com Messi os troféus de melhor do mundo durante mais alguns anos, apesar dos 32 anos, e repetiu o desejo de vir a ter sete Bolas de Ouro e sete filhos. Desafiado por um pequeno fã francês a mudar-se para o PSG, CR7 respondeu querer continuar no Real Madrid... se for possível, e adiantou que não se vê a ser treinador quando terminar a carreira. Tenho vários projetos em mente, mas ser treinador não é um deles. E despediu-se, com mais uma Bola de Ouro debaixo do braço e com a Torre Eiffel a brilhar só para ele, como salientou Ginola. Até para o ano?

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