Pacheco, o portimonense que torce pela vitória do Benfica

JOGO DA 21 JORNADA DA LIGA DE HONRA ALVERCA VS PORTIMONENSE COMPLEXO DESPORTIVO DO FUTEBOL CLUBE DE ALVERCA ANTONIO PACHECO TREINADOR 13 DE FEVEREIRO DE 2005 FOTO DE LUIS MANUEL NEVES

O antigo extremo que recorda os tempos que viveu nos dois clubes que guarda no coração. Acredita que, em caso de triunfo, os encarnados darão hoje um grande passo para o penta

António Pacheco tinha apenas 20 anos quando em 1987 trocou o Portimonense pelo Benfica, equipas que se encontram esta noite (20.30, SportTV1) em Portimão. Na altura, vinha de uma excelente época de estreia na I Divisão, onde foi lançado por Vítor Oliveira, esse mesmo, o atual treinador dos algarvios, que descobriu o miúdo veloz e atrevido na II Divisão, no Torralta, onde fez todos os escalões de formação.

"Não vou estar com o coração dividido, pois prefiro que o Benfica ganhe. No entanto, se tiver de perder um jogo que seja com o Portimonense, que é o clube da minha terra, que me diz muito: é o clube da minha família, onde tenho muitos amigos", assumiu Pacheco ao DN, considerando que este jogo será "fundamental para o Benfica chegar ao penta": "Tenho a certeza de que um dos três grandes cairá em Portimão e se o Benfica ganhar poderá ganhar aqui pontos à concorrência."

Segundo Pacheco, na partida desta noite "não haverá muito espaço, até porque o campo é de dimensões reduzidas" e, como tal, "os mais dotados como Nakajima ou Jonas podem fazer a diferença". Contudo, está convencido de que "as bolas paradas podem ser determinantes". O antigo extremo elogia o trabalho de Vítor Oliveira à frente do Portimonense, que diz ser "o treinador adequado por apostar em jovens e por ter experiência necessária a enquadrar os estrangeiros". Pacheco está mesmo convencido de que o clube de Portimão "pode regressar aos bons tempos" em que chegou a jogar nas provas europeias.

Aos 51 anos, António Pacheco abriu o seu baú de memórias, onde mantém bem vivo o momento em que trocou o Torralta pelo Portimonense. "Fiz uma época espetacular, ainda era júnior e fui o segundo melhor marcador da II Divisão, atrás do Jorge Andrade, do Farense. No fim da época, o Vítor Oliveira foi buscar-me", recorda.

A temporada de 1986-87 foi a de estreia na I Divisão e a de explosão do miúdo, que começou a chamar a atenção dos grandes. "Na altura soube que estava referenciado também pelo Sporting e o FC Porto", revela, mas foi o clube da Luz que chegou primeiro. "Numa semana jogámos duas vezes na Luz. Primeiro, para o campeonato, empatámos 1-1 e estive na origem do golo do Portimonense com um livre que o Silvino defendeu para a frente e o Luciano marcou. Uma semana depois jogámos para a Taça e perdemos 4-0, voltámos a fazer um excelente jogo, mas o Benfica beneficiou de ajudas normais aos grandes. Esses dois jogos serviram para tirarem as dúvidas em relação a mim", atirou.

A assinatura de contrato com o Benfica surgiu quando se preparava para integrar a seleção de esperanças que ia ao Torneio de Toulon. "Um dirigente do Benfica foi a Portimão e chegamos logo a acordo. O Boavista também estava interessado e o major Valentim Loureiro até me oferecia mais que o Benfica, mas preferi apostar na carreira em detrimento do dinheiro", revelou.

Foi para a Luz com outro jovem do clube algarvio, o médio Augusto. "Fomos e em troca o José Carlos e o César Brito foram emprestados ao Portimonense", revelou, lembrando que se adaptou facilmente ao Benfica: "Dito, Carlos Pereira e o Delgado deram-me a mão num balneário com jogadores que eu estava habituado a ver nos cromos."

Em 1989 tornou-se o primeiro jogador nascido em Portimão a jogar pela seleção. "Foi num jogo com a Bélgica, na Luz, tinha o Gerets pela frente... só de olhar para ele era um respeitinho muito grande", conta.

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