Pacheco, o portimonense que torce pela vitória do Benfica

O antigo extremo que recorda os tempos que viveu nos dois clubes que guarda no coração. Acredita que, em caso de triunfo, os encarnados darão hoje um grande passo para o penta

António Pacheco tinha apenas 20 anos quando em 1987 trocou o Portimonense pelo Benfica, equipas que se encontram esta noite (20.30, SportTV1) em Portimão. Na altura, vinha de uma excelente época de estreia na I Divisão, onde foi lançado por Vítor Oliveira, esse mesmo, o atual treinador dos algarvios, que descobriu o miúdo veloz e atrevido na II Divisão, no Torralta, onde fez todos os escalões de formação.

"Não vou estar com o coração dividido, pois prefiro que o Benfica ganhe. No entanto, se tiver de perder um jogo que seja com o Portimonense, que é o clube da minha terra, que me diz muito: é o clube da minha família, onde tenho muitos amigos", assumiu Pacheco ao DN, considerando que este jogo será "fundamental para o Benfica chegar ao penta": "Tenho a certeza de que um dos três grandes cairá em Portimão e se o Benfica ganhar poderá ganhar aqui pontos à concorrência."

Segundo Pacheco, na partida desta noite "não haverá muito espaço, até porque o campo é de dimensões reduzidas" e, como tal, "os mais dotados como Nakajima ou Jonas podem fazer a diferença". Contudo, está convencido de que "as bolas paradas podem ser determinantes". O antigo extremo elogia o trabalho de Vítor Oliveira à frente do Portimonense, que diz ser "o treinador adequado por apostar em jovens e por ter experiência necessária a enquadrar os estrangeiros". Pacheco está mesmo convencido de que o clube de Portimão "pode regressar aos bons tempos" em que chegou a jogar nas provas europeias.

Aos 51 anos, António Pacheco abriu o seu baú de memórias, onde mantém bem vivo o momento em que trocou o Torralta pelo Portimonense. "Fiz uma época espetacular, ainda era júnior e fui o segundo melhor marcador da II Divisão, atrás do Jorge Andrade, do Farense. No fim da época, o Vítor Oliveira foi buscar-me", recorda.

A temporada de 1986-87 foi a de estreia na I Divisão e a de explosão do miúdo, que começou a chamar a atenção dos grandes. "Na altura soube que estava referenciado também pelo Sporting e o FC Porto", revela, mas foi o clube da Luz que chegou primeiro. "Numa semana jogámos duas vezes na Luz. Primeiro, para o campeonato, empatámos 1-1 e estive na origem do golo do Portimonense com um livre que o Silvino defendeu para a frente e o Luciano marcou. Uma semana depois jogámos para a Taça e perdemos 4-0, voltámos a fazer um excelente jogo, mas o Benfica beneficiou de ajudas normais aos grandes. Esses dois jogos serviram para tirarem as dúvidas em relação a mim", atirou.

A assinatura de contrato com o Benfica surgiu quando se preparava para integrar a seleção de esperanças que ia ao Torneio de Toulon. "Um dirigente do Benfica foi a Portimão e chegamos logo a acordo. O Boavista também estava interessado e o major Valentim Loureiro até me oferecia mais que o Benfica, mas preferi apostar na carreira em detrimento do dinheiro", revelou.

Foi para a Luz com outro jovem do clube algarvio, o médio Augusto. "Fomos e em troca o José Carlos e o César Brito foram emprestados ao Portimonense", revelou, lembrando que se adaptou facilmente ao Benfica: "Dito, Carlos Pereira e o Delgado deram-me a mão num balneário com jogadores que eu estava habituado a ver nos cromos."

Em 1989 tornou-se o primeiro jogador nascido em Portimão a jogar pela seleção. "Foi num jogo com a Bélgica, na Luz, tinha o Gerets pela frente... só de olhar para ele era um respeitinho muito grande", conta.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.