Outra vez detido o autor do very light que matou adepto

Hugo Inácio estava proibido de frequentar recintos desportivos. No Benfica-Chaves foi reconhecido e acabou detido

Hugo Inácio, o adepto do Benfica que provocou a morte de um adepto do Sporting ao arremessar um very light (foguete luminoso) na final da Taça de Portugal de 1996 foi detido em pleno Estádio da Luz, antes do jogo do Benfica com o Desp. Chaves, no sábado, na Luz.

Em comunicado, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP explicou que existia sobre Hugo Inácio "um mandado de detenção emitido por autoridade judiciária, para cumprimento de pena de três anos, no âmbito de um processo--crime de detenção de arma proibida (artefactos pirotécnicos)".

Ainda segundo a PSP, a detenção ocorreu às 16.00 de dia 20 deste mês, no âmbito do policiamento ao jogo entre o Benfica e o Chaves, no Estádio da Luz. Segundo apurou o DN, Hugo Inácio foi detetado no estádio por um elemento da Unidade Metropolitana de Informações Desportivas (spotters), a polícia especializada que acompanha as claques, que o sinalizou e avisou a polícia para proceder à detenção.

Hugo Inácio, adepto dos encarnados, estava impedido de frequentar recintos desportivos por ordem do tribunal. Agora, segundo disse fonte da PSP à agência Lusa, como desobedeceu a uma pena determinada por um juiz, será julgado novamente.

Inácio tem um longo historial de problemas e detenções. Em 1996, o conhecido membro dos No Name Boys, a claque de apoio ao Benfica não reconhecida oficialmente pelo clube da Luz, andou a monte e foi capturado um mês e meio depois dos acontecimentos do Jamor, tendo ficado em prisão preventiva. Foi depois acusado de homicídio, detenção e uso de substâncias explosivas e utilização de documento de identificação alheio, acabando condenado por "negligência grosseira", com uma pena de quatro anos de prisão (passou a cinco, face a uma condenação anterior por tráfico de droga).

Preso no Linhó, no ano 2000, aproveitou uma saída precária para fugir, tendo sido capturado 11 anos depois em Sintra e novamente condenado. Já em 2012 tinha visto um juiz aplicar-lhe uma pena de 18 meses de prisão por agredir e injuriar um polícia e condená-lo a ficar fora dos recintos desportivos por dois anos (até 2014).

Depois voltou às bancadas e em 2016 teve novo incidente. Foi condenado a três anos de prisão e a proibição de frequentar recintos desportivos durante sete anos (até 2023), depois de ter sido apanhado a acender uma tocha no estádio. Pena essa que desrespeitou ao entrar no Estádio da Luz para assistir ao jogo com o Desp. Chaves (3-0).

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