Os portugueses que vão testar os limites no Ironman do Hawai

Luís Santos recupera de uma grave lesão no tendão de Aquiles, enquanto Pedro Silva foi atropelado, mas nem isso os desmotivou para o mítico Campeonato do Mundo de Ironman

Kailua-Kona, no Hawai, o olimpo dos triatletas, recebe amanhã o emblemático Campeonato do Mundo de Ironman, que contará com a participação de quatro portugueses: Pedro Rui Silva, Luís Diogo Santos, Nilton Cabral e Arlindo Tavares. Como todos os Ironman, a duríssima prova começa com 3,8 km de natação, seguindo-se 180 km de ciclismo e, no final, 42,2 km de corrida. A temperatura média será de 30 graus, mas em alguns períodos chegará a atingir 40 graus, com uma humidade relativa entre 80 e 85 por cento a aumentar as dificuldades da mítica competição que teve a primeira edição em 1978 (ver caixa).

O DN conversou com dois dos portugueses que vão testar os limites na prova havaina. Ambos viajaram com bastante antecedência para Kailua-Kona, para se adaptarem às condições climatéricas e à diferença horária (menos 11 horas em relação a Portugal Continental).

Luís Diogo Santos começou no triatlo em 1991 e defende atualmente as cores do Cnatril Triatlo, em Portugal, e do Centre Natacio Mataro, em Espanha. Esta será a sua segunda participação no Ironman do Hawai, depois de em 2008 ter sido 386.º da geral (78.º no seu escalão de idade), com o tempo de 10:10,36 horas.

Este ano, Luís terá um desafio ainda maior pela frente, pois a sua última prova foi em maio, no Campeonato de Espanha de Distância Média, onde se lesionou no tendão de Aquiles. Desde então, tem passado por um calvário, entre sessões de fisioterapia e uma pequena cirurgia realizada. A recuperação tem sido lenta e a preparação para este evento foi praticamente nula.

Apesar de todos estes contratempos, mantém de pé o "grande objetivo de cortar a meta, embora sem pensar em nenhuma marca específica e sem qualquer pressão, desfrutando de cada quilómetro". O atleta de 42 anos sublinha que "mais do que a exigência física, esta prova obriga a uma componente mental muito elevada, pelas suas extremas condições climatéricas".

Depois de uma época muito dura no que toca a lesões, Luís Diogo Santos pensa em todas as pessoas que o ajudaram na recuperação. "É por elas que vou dar tudo", promete, prevendo queimar cerca de 9 mil calorias e perder entre 4 e 5 kg - o que tentará minimizar com a ingestão de gel e barras energéticas, água e bebida isotónica.

Luís apaixonou-se bem cedo pelo triatlo. "Pratico a modalidade desde os 15 anos e no início ficava maravilhado ao ver as transmissões do Ironman do Hawai no Eurosport, com os duelos dos campeões dessa época, como Mark Allen e Dave Scott, verdadeiros homens de ferro. Claro que no meu caso foi um processo de muitos anos, com uma gradual transição das distâncias curtas para o Ironman", revela. Hoje, vive em Mataró, Catalunha, e treina no mesmo local do campeão do mundo, Jan Frodeno. "As condições são perfeitas para o treino, com bom clima, boas estradas, uma piscina de 50 metros aberta todo o ano, a 100 metros de casa", explica.

O melhor resultado que já obteve foram dois quintos lugares no escalão 30-34 anos no Mundial de 70.3, em 2006 e 2007. A melhor marca foi de 09:25 horas, em Roth (Alemanha), em 2006.

De sedentário a Ironman

Pedro Rui Silva é um novato no Ironman, sendo este apenas o segundo que irá realizar, depois de se ter estreado na África do Sul em abril deste ano, de forma auspiciosa, terminando em décimo lugar com a marca de 9:35 horas, o que lhe valeu a qualificação para o Mundial do Hawai. "A minha ambição para esta prova será sempre acabar, mas não deixa de ser uma competição e por isso irei fazer tudo para alcançar o melhor resultado possível", refere.

O mais espantoso, no caso de Pedro Silva, é que até 2014 não praticava qualquer desporto. "Há três anos tinha 105 kg e era uma pessoa sedentária, passava a vida a jogar videojogos. Certo dia a minha esposa tirou-me umas fotografias na praia e ao descarregar as imagens eu nem queria acreditar no que via. Por isso, decidi começar a correr, primeiro distâncias pequenas e depois, já com menos 10 kg, fiz uma meia-maratona e adorei a experiência", conta.

Ao ver os bons resultados, começou a treinar mais e a perder cada vez mais peso. Mas uma vez que as corridas "desgastam muito as articulações", decidiu diversificar e começar a fazer triatlo, rapidamente começando a ganhar algumas provas.

Tal como Luís Diogo Santos, a preparação de Pedro Rui Silva para o Campeonato do Mundo do Hawai não foi a mais adequada. "Inscrevi-me no Ironman 70.3 de Cascais mas uma semana antes da prova, quando estava num pico de forma muito bom e tinha como objetivo vencer o meu grupo de idade, foi atropelado por um condutor que estava a falar ao telemóvel. Sofri escoriações e fiz uma tendinite na perna esquerda. Não participei no 70.3 e a recuperação, em teoria, demoraria um mês e meio, mas consegui fazê-la em três semanas", conta, reconhecendo no entanto que perdeu muita confiança e que quando treina tem medo de voltar a lesionar-se na mesma zona.

Pedro Rui Silva treina na zona da Ericeira, onde reside, e ainda no Bombarral e em Peniche, "pois a estrada é boa e tem pouco trânsito". Uma vez que é piloto de aviões, faz também muitos treinos de corrida fora do país. Em média, treina 20 a 25 horas por semana, dependendo da disponibilidade profissional. Representa o Triatlo Clube TAP e conta com a ajuda do treinador Paulo Conde, da IronConde Triathlon Academy. No Hawai, Pedro e Luís, como Nilton e Arlindo, vão mostrar de que "ferro" são feitos os ironmen portugueses.

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