O mais alto, o mais gordo, o mais velho... tudo sobre os jogadores do Mundial

Os 736 jogadores que vão estar no Mundial já são conhecidos e o DN resume alguns dos dados mais curiosos sobre eles

Sabe quem é o jogador mais alto que vai estar nos relvados do Mundial? E o mais novo? Sabe qual a liga mais representada? E quantas seleções têm os 23 convocados a jogar no seu país? Que jogador português está no top-3 dos mais leves da competição?

Conhecida a lista oficial de 736 jogadores convocados pelas 32 seleções que vão disputar o Mundial a partir do próximo dia 14, o DN faz um levantamento de alguns dos dados mais curiosos relativos aos atletas que vão estar na Rússia. Como o do guarda-redes egípcio El-Hadary, que aos 45 anos e 5 meses é o jogador mais velho de sempre a fazer parte de uma convocatória para um campeonato do mundo de futebol.

Aqui ficam alguns destaques:

Os mais velhos
Essam El-Hadary vai estrear-se num Mundial e pode fixar então um novo recorde como jogador mais velho a jogar na prova. Basta para isso que, tal como previsto, entre em campo pela seleção do Egito em qualquer jogo da seleção norte-africana, que volta a um campeonato do mundo 28 anos depois. Aos 45 anos e cinco meses, El-Hadary prepara-se para bater a marca de outro guarda-redes, o colombiano Mondragon, que há quatro anos jogou no Brasil com 43 anos e três dias. O egípcio é inclusive mais velho do que três dos selecionadores presentes: Aliou Cisse (Senegal), Mladen Krstajic (Sérvia) e Roberto Martinez (Bélgica). O segundo jogador mais velho neste Mundial será o mexicano Rafael Marquez, de 39 anos. O russo Sergey Ignashevich, de 38 anos, fecha o pódio.

Os mais novos
Num torneio que, segundo informação da FIFA, tem a mais elevada média de idades da história dos Mundiais (quase 28 anos), o extremo australiano Daniel Arzani é o caçula da turma, com 19 anos e cinco meses. O número 17 dos Socceroos [nickname oficial da seleção australiana], jogador do Melbourne City, nasceu a 4 de janeiro de 1999. Ou seja, ainda não é neste campeonato do mundo que vamos ter em campo um jogador nascido já no novo milénio. E se o nome de Arzani diz pouco aos adeptos do futebol, já o segundo jogador mais jovem da prova é uma das grandes estrelas emergentes do futebol mundial. Trata-se do avançado francês Kylian Mbappé, também com 19 anos. Francis Uzoho, guarda-redes da Nigéria, tem 19 anos e sete meses.

Os mais pesados
Segundo os dados oficiais divulgados pela FIFA - alguns dos quais, reconheça-se, podem gerar um olhar de desconfiança -, o jogador mais pesado do torneio é o defesa do Panamá Roman Torres, jogador que atua na MLS norte-americana ao serviço dos Seattle Sounders e que ascendeu ao estatuto de herói nacional ao marcar o golo que valeu o histórico apuramento panamiano, frente à Costa Rica. Torres pesa 99 kg, apenas um acima de um grupo de quatro jogadores que inclui o avançado inglês Harry Kane, do Tottenham (relembre-se, é a FIFA quem o garante), o que já espoletou a indignação dos britânicos.

Os mais leves
Lionel Messi tem o apelido de Pulga, mas está longe de ser um dos jogadores mais leves do Mundial, com os seus 72 kg (sim, ainda dados oficiais da FIFA). A verdadeira pulga do campeonato do mundo, em termo de peso, chama-se Takashi Inui. O médio japonês, que representou os espanhóis do Eibar na última temporada, pesa 59 kg. O inglês Jesse Lingard, com 60 kg, ocupa o segundo lugar desta ranking, no qual há um português a partilhar o último lugar do pódio: João Moutinho. O médio do Mónaco aparece com 61 kg de peso, juntamente com Al-Breik Mohammed (Arábia Saudita), Nahitan Nandez e Lucas Torreria (Uruguai) e Dries Mertens (Bélgica).

Os mais altos
Com 1,91 metros, José Fonte aparece como o mais alto entre os 23 jogadores da seleção portuguesa. Mas isso não é suficiente para o defesa luso entrar sequer no top 10 dos "pinheiros" deste Mundial (para recorrer à expressão que celebrizou a passagem do treinador Paulo Sérgio pelo Sporting: "falta um pinheiro no ataque"). O jogador mais alto do próximo campeonato do mundo é o croata Lovre Kalinic, um guarda-redes que mede 2,01 metros. Há mais um jogador a chegar à fasquia dos dois metros: o defesa dinamarquês Jannick Vestegaard.

Os mais baixos
Já se sabe que o talento não se mede aos palmos e, por isso, os jogadores que fazem parte desta lista não têm de ficar a dever nada a ninguém. Mas talvez não seja boa ideia mandá-los para a área contrária à espera de bolas longas. Sem grande surpresa, é a meio-campo ou nas alas que se concentram os "baixotes" do Mundial, como o demonstram Alberto Quintero (Panamá), Al-Shehri Yahya (Arábia Saudita) e Xherdan Shaqiri (Suíça), todos eles com 1,65 metros. O mexicano Javier Aquino aparece na lista com um centímetro mais do que aquele trio, enquanto o benfiquista Salvio (Argentina) faz parte de um grupo de quatro jogadores com 1,67 metros. Na seleção portuguesa, o mais baixo é o lateral esquerdo Mário Rui, com 1,68 metros.

A seleção mais "local"
Com os 23 convocados a atuarem na Premier League, a seleção de Inglaterra é a única que não recorreu a nenhum jogador a atuar no estrangeiro. Rússia (21 em 23) e Arábia Saudita (20) são as duas seleções que se seguem neste ranking, enquanto Suécia e Senegal não têm qualquer jogador a disputar os respetivos campeonatos locais. Na seleção portuguesa, seis dos 23 eleitos disputaram o campeonato nacional na época 2017/18.

Ligas mais representadas
Dos 736 jogadores que vão ao Mundial, 20 deles jogaram na Liga portuguesa na temporada agora finda. Portugal aparece a fechar o top 10 de campeonatos mais representados, liderado pelas ligas inglesas, que tiveram a jogar nos seus relvados 124 dos jogadores (quase 17% do total). Espanha (80 jogadores) e Alemanha (67) completam o pódio.

Clubes mais representados
Se a Premier League é a liga mais representada, também não é grande surpresa que seja o campeão inglês o clube com mais jogadores na prova. São 16 os jogadores que atuaram no Manchester City em 2017/18 e que vão estar em competição na Rússia. O campeão europeu Real Madrid está representado por 15 jogadores, enquanto o Barcelona tem 14.

Jogadores com golos em Mundiais
Ao todo, são 53 os futebolistas que vão estar na Rússia e que já fizeram o gosto ao pé num campeonato do mundo. A lista é encabeçada pelo avançado alemão Thomas Mueller (Bayern Munique), que já marcou dez golos, em três participações. O colombiano James Rodriguez, atualmente também jogador do Bayern (mas que já passou pelo FC Porto, Mónaco e Real Madrid), marcou seis golos no último Mundial 2014, no Brasil, onde foi o melhor marcador - o que faz dele o segundo melhor goleador dos Mundiais em atividade na Rússia. Lionel Messi e Gonzalo Higuain (Argentina), Luiz Suarez (Uruguai) e Tim Cahill (Austrália) têm cinco cada. Cristiano Ronaldo também faz parte da lista de 53 jogadores que já marcaram no palco mais apetecido: tem três golos, um em cada edição em que marcou presença (2006, 2010 e 2014). O melhor marcador da história dos Mundiais continua a ser o alemão Miroslav Klose, com 16.

Jogadores com mais participações
Entre os 736 atletas em ação, há um deles que esteve presente em todos os Mundiais realizados neste século XXI. Quer pistas? É hispânico, já jogou no Barcelona e a última vez que, provavelmente, ouviu falar nele foi a propósito de alegadas ligações a um cartel de droga (o que faz dele uma espécie de "wanted" pela justiça dos EUA). Sim, trata-se do mexicano Rafael Marquez, que, diga-se, prontamente desmentiu a ligação ao narcotráfico. Aos 39 anos, o Kaiser tricolor prepara-se para se tornar no quarto homem da história a jogar em cinco edições do Mundial, juntando-se ao compatriota Antonio Carbajal, Lothar Matthaus (Alemanha) e Gigi Buffon (Itália). Um recorde a que Cristiano Ronaldo pode chegar também... em 2022. O capitão da seleção portuguesa vai jogar na Rússia o seu quarto campeonato do mundo.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Dispensar o real

A minha mãe levou muito a sério aquele slogan dos anos 1970 que há quem atribua a Alexandre O'Neill - "Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si" - e todos os domingos nos metia no carro para conhecermos o país, visitando igrejas, monumentos, jardins e museus e brindando-nos no final com um lanche em que provávamos a doçaria típica da região (cavacas nas Caldas, pastéis em Tentúgal). Conheci Santarém muito antes de ser a "Capital do Gótico" e a Capela dos Ossos foi o meu primeiro filme de terror.

Premium

Adriano Moreira

Entre a arrogância e o risco

Quando foi assinada a paz, pondo fim à guerra de 1914-1918, consta que um general do Estado-Maior Alemão terá dito que não se tratava de um tratado de paz mas sim de um armistício para 20 anos. Dito ou criado pelo comentarismo que rodeia sempre acontecimentos desta natureza, o facto é que 20 anos depois tivemos a guerra de 1939-1945. O infeliz Stefan Zweig, que pareceu antever a crise de que o Brasil parece decidido a ensaiar um remédio mal explicado para aquela em que se encontra, escreveu no seu diário, em 3 de setembro de 1939, que a nova guerra seria "mil vezes pior do que em 1914".