O mais alto da história da Vuelta ocupa o último lugar

Irlandês Conor Dunne, da Aqua Blue, mede 2,04 metros. Em sofrimento para continuar em prova, sonha chegar a Madrid

Conor Dunne mede 2,04 metros e é desportista. A altura sugere tratar-se de um praticante de basquetebol, andebol ou natação, ou então um guarda-redes de futebol, mas é no ciclismo que o britânico tem a sua atividade profissional.

Nascido há 25 anos na cidade inglesa de St. Albans, assume-se como irlandês, tal como a equipa que representa durante este ano, a Aqua Blue Sport. O gigante ciclista está a competir na Volta a Espanha, prova na qual estabeleceu o novo recorde para participante mais alto, ocupando o 162.º... e último lugar, a quatro horas, 25 minutos e 35 segundos do camisola vermelha, Chris Froome (Sky), que por sua vez mede 1,86 metros.

A diferença entre Dunne e o líder da prova até deverá crescer, mas nada demove o corredor da República da Irlanda de atingir o objetivo de chegar a Madrid no domingo, na derradeira etapa da competição. O tempo é mesmo o menos importante. Chegar ao fim é que importa, é esse o sonho do gigante, que está a estrear-se numa das três grandes voltas (Giro, Tour e Vuelta), precisamente naquela que é considerada a que pior se adapta às características dele. "Às vezes torna--se horrível, mas estou a dar o melhor de mim", garantiu o atleta da Aqua Blue, equipa que viu o seu autocarro ser incendiado numa passagem pela cidade andaluza de Almería e contou com um empréstimo de um da formação portuguesa LA Alumínios para assegurar o transporte dos atletas.

"É um grande desafio diário, cada etapa é duríssima. Para mim, passa por sobreviver a cada dia que passa, mas estou atento para quando tiver oportunidade de fazer algo especial", confessou, piscando o olho a uma eventual fuga, apesar da dificuldade da competição. "Vais ao limite todos os dias, o ritmo é muito alto. Quando se sofre todos os dias e tem de se dar o máximo em cada etapa, tornas-te mais forte e é para isso que aqui estou", vincou o lanterna vermelha da Vuelta, que provavelmente vai vestir as cores do seu país no Campeonato do Mundo que se vai realizar na cidade norueguesa de Bergen, entre os dias 16 e 24.

Apesar da campanha discreta na Volta a Espanha, o irlandês vai dando nas vistas pela figura imponente. Não é de agora. Há dois anos foi fotografado em conjunto com o ciclista francês mais baixo do pelotão internacional, Samuel Dumoulin (1,59 m), para um trabalho do diário desportivo gaulês L"Équipe.

O caso de Dunne é de tal forma especial que a fabricante Ridley teve de construir uma bicicleta especialmente para ele. "O quadro tem o tamanho 63, foi personalizada para mim. Os tamanhos normais não me ficam bem, sou demasiado grande. Foi ótimo a fabricante ter feito um modelo espe- cífico para mim. Ajuda muito ter uma bicicleta que se adapte às minhas dimensões", afirmou, em alusão ao modelo Noah SL.

Froome lidera mas por menos

O ciclista austríaco Stefan Denifl, companheiro de equipa de Conor Dunne na Aqua Blue Sport, venceu ontem isolado a 17.ª etapa da Vuelta. O austríaco de 29 anos cumpriu a tirada de 180,5 quilómetros, que culminou numa subida de categoria especial ao alto de Los Machucos, na Cantábria, em 4:48.52 horas, 28 segundos à frente do espanhol Alberto Contador (Trek-Segafredo).

O líder continua a ser o britânico Chris Froome (Sky), que ontem foi 14.º, a um minuto e 46 segundos do vencedor da etapa, e por isso viu as distâncias para o vice-líder da geral serem encurtadas. A vantagem para o italiano Vincenzo Nibali (Bahrain - Mérida) é agora de um minuto e 16 segundos.

Hoje, o pelotão enfrenta os 169 quilómetros entre Suances e a subida ao mosteiro de Santo Toribio de Liébana, de terceira categoria.

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