"O João Sousa é um grande tenista e um rapaz fantástico"

Djokovic fala da importância de ter Boris Becker como treinador e da justificação para sentir um carinho especial pelo Benfica

Este ano mostrou um Djokovic na sua melhor forma - venceu os Grand Slam dos Estados Unidos, Wimbledon e Austrália e só lhe faltou Paris (Roland-Garros). Foi a sua melhor temporada de sempre?

Sim, talvez seja a melhor de sempre. Em 2011 também tive excelentes resultados, mas este ano tem sido ainda mais fantástico. Penso que tenho jogado o meu melhor ténis de sempre e correu quase tudo bem. Mas nunca podemos deixar-nos iludir, é preciso continuar a trabalhar, pois quero continuar a jogar assim por muito mais tempo.

Quem considera serem os seus maiores rivais atualmente?

É difícil comentar, mas é sempre especial jogar com tenistas como nadal, Federer ou Andy Murray. No entanto, a minha maior rivalidade de sempre foi com o Rafa. Somos da mesma geração, já jogamos muitas vezes e a verdade é que com as derrotas tanto eu como ele aprendemos muito.

Qual a importância de ser treinado por Boris Becker? Como é a vossa relação?

Temos uma boa relação e estamos em sintonia. Talvez pelo facto de ele ter sido um dos melhores tenistas de sempre, continua a viver os jogos como tenista e isso motiva--me e faz-me aprender ainda mais. Antes dos grandes jogos ele não consegue dormir bem e isso faz--me sentir que ele está em completa sintonia comigo. Somos uma equipa, apesar de ser eu apenas dentro de campo.

Quando terminar a carreira pondera tornar-se treinador?

Não tenho a certeza ainda. Uma coisa posso garantir: vou ficar com certeza ligado ao ténis, esta é a minha vida, a vida que eu gosto. Talvez possa treinar no futuro, não sei.

Já defrontou o português João Sousa. O que acha dele?

É bravo. O João é um grande tenista e um rapaz fantástico. Sempre que joguei contra ele tive de ser sempre muito forte, sobretudo do ponto de vista mental. Ele retira o melhor do adversário.

Já em 2016 ou a médio prazo será possível termos o Djokovic no Estoril Open?

Não sei. Gosto muito do torneio, mas é algo complicado de responder.

Que recordações guarda de 2007, quando venceu o Estoril Open?

Venci, tenho de guardar boas recordações. Trataram-me muito bem, o povo português foi sempre muito afável e guardo as melhores memórias. É um país fantástico, que já tive oportunidade de conhecer.

Quem foi o seu jogador de referência? Recorda algum jogo histórico que o tenha marcado?

O meu ídolo foi Pete Sampras. Comecei a gostar muito cedo de ténis e recordo-me de o ver a vencer Wimbledon tinha eu uns cinco anos. Foi ele que me deu a motivação para ser tenista profissional. Tenho muitos jogos que recordarei para sempre, é difícil escolher um.

Recentemente interrompeu um jogo porque lhe cheirava a marijuana. Que outras situações caricatas teve dentro dos courts?

Foi uma situação engraçada, mas incomodava. Soube depois que era legal naquela região do Canadá. Já atendi também alguns telefonemas de adeptos, mas foi mais numa fase inicial da carreira. Há sempre situações engraçadas.

Sobre outras modalidades, é um fã de futebol e até já vestiu a camisola do Benfica. Acompanha os jogos do clube português?

Infelizmente não vejo muitos jogos, mas gosto de acompanhar os resultados. O Benfica foi sempre um clube que me tratou bem e desde que joguei no Estoril fiquei com um carinho especial. Depois também nos últimos anos contrataram muitos sérvios e por eles também fiquei a torcer ainda mais. Felicidades para o Benfica.

Ronaldo ou Messi? Quem é para si o melhor do mundo?

Já me fizeram essa pergunta algumas vezes, uma delas na Argentina, e tal como respondi lá, digo também para Portugal: são os dois melhores do mundo.

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