O futebol é "uma viagem ao estádio", "um jogo de tribos" e "viciante como um café"

Entrevista a Mário Zambujal, Francisco José Viegas e Rui Miguel Tovar, escritores e jornalistas

O que é o futebol para Mário Zambujal, Francisco José Viegas e Rui Miguel Tovar?

Mário Zambujal - O futebol para mim é como o café, um vício muito antigo, que faz mal às vezes, mas que eu consumo com muito gosto. O que me encanta é a imprevisibilidade. É como uma história em que não conhecemos o final, podemos adivinhar como vai acabar a certa altura, mas nunca dá para adivinhar cada passe ou lance, é a surpresa continuada e isso é que me atrai. Tem de se esperar sempre o inesperado.

Francisco José Viegas - Antigamente eu pensava que o futebol era aquilo que a minha equipa jogava, depois pensava que mais do que um desporto era um jogo em que há uma coreografia, mas, ao contrário do ballet, com um objetivo - não como a do ballet, que pretende ser bela. No futebol, essa coreografia tem como objetivo marcar golos e ganhar, e por isso eu mantenho que o futebol é um jogo de tribos em que se procura a beleza e a eficácia. E claro: a vitória do nosso clube.

Rui Miguel Tovar - O futebol é uma viagem ao estádio. Desde o ter o bilhete na mão, seja a um mês do jogo ou na véspera, toda aquela emoção de contar os minutos até à hora de sair de casa, de chegar ao estádio, entrar e viver toda aquela atmosfera e ambiente de um jogo, seja ele da terceira divisão, como já fui a muitos na Lourinhã, ou um jogo grande na Luz ou Alvalade, em que se concentram milhares de pessoas. Para mim, o futebol não é só o que se passa lá dentro, mas é muito mais o que vem aí, a expectativa de saber o que vamos encontrar num estádio, seja ele um anfiteatro ou o campo do Lourinhanense.

Imaginem que em maio de 2016 lhes pediam para apresentar o Domingo Desportivo, como o Mário Zambujal fez tantas vezes. Qual era a notícia de abertura?

M.Z. - A vitória do Benfica no campeonato esteve em dúvida durante algum tempo, a primeira volta foi muito fraca, mas os reforços de janeiro foram determinantes para o título [risos]. Assistimos a uma luta muito interessante entre o FC Porto e o Sporting pelo segundo lugar, subitamente superados pelo Sp. Braga.

F.J.V. - Para que jornal humorístico era a reportagem? [gargalhada geral] E como final é trágico. Para mim seria ligeiramente diferente, embora seja um portista cético, acho difícil as equipas triunfarem sem treinador...

R.M.T. - Se calhar teríamos de dar a mão à palmatória em relação a Jorge Jesus, e falar do toque de Midas numa equipa de si já bem construída pelo Leonardo Jardim e pelo Marco Silva, e que ele teria conseguido levar a bom porto. Mas se calhar eu preferia trocar esse Domingo Desportivo pelo de 10 de julho (final do Euro 2016) e abrir com um título em relação à seleção nacional. Preferia Portugal campeão europeu ao Sporting campeão. De longe...

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