Nani espera Letónia "confiante" e relativiza cansaço

O extremo Nani afirmou esta terça-feira esperar uma Letónia "mais confiante", no encontro de qualificação para o Mundial2018, e assegurou que os jogadores da seleção portuguesa de futebol não estão preocupados com o eventual cansaço neste final de temporada.

"Esperamos uma Letónia mais confiante, jogando em casa. Sabemos que vai ser um jogo difícil para nós e já no jogo cá [4-1] complicaram-nos muito a tarefa. Marcámos o primeiro golo na primeira parte, mas os restantes vieram todos muito mais tarde. Não há jogos fáceis", afirmou Nani, em conferência de imprensa, antes de mais um treino de Portugal, na Cidade do Futebol, em Oeiras.

O jogador do Valência minimizou a possível fadiga de final de época, numa altura em que a seleção nacional vai discutir mais um jogo de apuramento para o Mundial, antes de partir para a Rússia, onde vai disputar a Taça das Confederações.

"Alguns jogadores têm tido poucas férias e eu sou um deles, graças a Deus, porque é sinal que estou presente nessas competições. Nós, jogadores, não devemos pensar no cansaço. Devemos, sim, pensar que fomos escolhidos. Tendo menos tempo de descanso, o rendimento pode ser prejudicado na próxima temporada, mas, quando se ganha, o cansaço fica para trás", vincou.

Nani, que é o quarto futebolista luso mais internacional de sempre (107 presenças na seleção A), atrás de Cristiano Ronaldo, Luís Figo e Fernando Couto, voltou a referir que não se sente um indiscutível no 'onze' luso.

"Compete-me trabalhar todos os dias da mesma maneira e esperar por uma oportunidade. O meu lugar não está garantido nesta equipa. Cabe-me esforçar todos os dias para poder jogar", disse.

O extremo, de 30 anos, espera, por outro lado, que Cristiano Ronaldo chegue com confiança máxima à seleção portuguesa, depois de no sábado ter conquistado a Liga dos Campeões, ao serviço do Real Madrid, numa final em que os 'merengues' bateram a Juventus, por 4-1, com dois tentos do capitão da seleção nacional.

"Antes do jogo, estávamos a torcer pelos nossos portugueses. É sempre bom ter um companheiro com muito sucesso como ele. Que traga muita alegria para nos transmitir", afirmou.

Já no que diz respeito à primeira época ao serviço dos espanhóis do Valência, Nani considerou ter sido uma "boa experiência", apesar do desempenho abaixo das expectativas dos 'ché', que ficaram em 12.º lugar na Liga espanhola.

"Não foi das melhores temporadas, mas estou muito satisfeito. Era algo que queria. A experiência foi boa, apesar de algumas lesões que tive pelo caminho, devido ao esforço da temporada passada. Encontrei um bom clube, um bom campeonato e pude desfrutar de muitos jogos. Gostei de estar lá e acredito que a próxima temporada será muito melhor", adiantou.

Na quarta-feira, a formação lusa viaja para Riga, onde dois dias depois defronta a Letónia, em jogo da sexta jornada do grupo B da zona europeia de qualificação para o Mundial2018.

A seleção nacional, campeã europeia em título, vai depois participar na Taça das Confederações, que vai decorrer de 17 de junho a 02 de julho, na Rússia.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.