Na edição mais LGBT dos Jogos emerge a estrela Adam Rippon

Patinador brilhou nas pistas de gelo e (principalmente) fora delas, ao defender causa gay e enfrentar vice de Trump

"Perguntaram-me recentemente numa entrevista como é ser um desportista gay. Eu respondi que é exatamente como ser um desportista heterossexual: muito trabalho duro, mas geralmente feito com sobrancelhas mais bem arranjadas." É com frontalidade e uma pitada de humor que Adam Rippon veste a pele de novo ícone homossexual do desporto no EUA. O patinador, que se tem distinguido dentro e fora das pistas de gelo em PyeongChang 2018, é uma estrela a despontar na edição mais LGBT da história dos Jogos Olímpicos de Inverno.

O canadiano Eric Radford, primeiro atleta assumidamente gay a conquistar o ouro olímpico (prova de equipas de patinagem artística), e a holandesa Ireen Wüst, bissexual que bateu o recorde de medalhas na patinagem de velocidade (dez) - ameaçando o máximo absoluto de Marit Bjørgen (12, ver em baixo) -, foram os primeiros a dar nas vistas em PyeongChang. A edição 2018 já bateu o recorde de participantes assumidamente lésbicas, gays, bissexuais ou transexuais (LGBT) em Jogos Olímpicos de Inverno: serão, pelo menos, 15 (segundo contas do site SB Nation). Entre eles, Adam Rippon tem sido um dos principais porta-estandartes da causa.

Para o patinador, de 28 anos, tudo começou antes da partida para a Coreia do Sul. Contudo, a conquista de uma medalha de bronze, na segunda-feira, na prova de equipas de patinagem artística - a mesma onde Radford chegou ao ouro -, só aumentou a sua notoriedade, nos EUA e por todo o mundo.

Adam Rippon chamou a atenção dos media pela frontalidade com que enfrentou o braço-direito do presidente dos EUA, Donald Trump: o vice Mike Pence, que é conhecido pela suas posições ultraconservadoras e foi escolhido para chefiar a comitiva do país em PyeongChang. "Refere-se ao mesmo Mike Pence que financiou terapias de conversão para gays? Não posso...", disse ao jornal USA Today, assumindo que não estaria disponível para o tradicional encontro entre os atletas e o líder da delegação, antes do início dos Jogos.

Na verdade, o arranque das provas de patinagem artística no dia 9, antes da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, deu a Adam uma falta justificada... mas a decisão já estava tomada. "Não ia perder tempo para me encontrar com alguém que, além de não ser amigo dos gays, pensa que eles são doentes", frisou.

Apesar do conservadorismo das suas posições - sempre votou contra o casamento gay e leis que se opunham à discriminação sexual -, Mike Pence tentou pôr água na fervura, voltando a negar que tenha financiado tratamentos de "conversão de homossexuais": "Não deixes que as notícias falsas te distraiam. Estou orgulhoso de ti e de todos os nossos grandes atletas", escreveu no Twitter, dirigindo-se a Adam.

O patinador, alvo de bastantes elogios e críticas nas redes sociais (fruto da profunda divisão política reinante nos EUA), também preferiu relativizar: "Não quero que a minha experiência nos Jogos Olímpicos se centre em Mike Pence." Afinal, para quem consegue estrear-se na maior competição mundial aos 28 anos (idade tardia para a patinagem artística), após uma longa luta para lá chegar, viver o momento é mesmo o mais importante.

De resto, Adam (que voltou a entrar em ação na madrugada de hoje, na prova individual masculina) já tornou a experiência inesquecível, com a medalha conquistada. "Mostrámos ao mundo aquilo de que somos capazes", celebrou Eric Radford, partilhando uma foto com o atleta dos EUA, nas redes sociais: adversários de ocasião, tinham a bandeira LGBT a uni-los.

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