A oitava grande medalha de Nelson Évora em dez anos

O atleta do Sporting está mais uma vez entre os grandes do triplo salto, com o bronze conquistado em Londres, quarta medalha a este nível para o seu impressionante palmarés.

Aos 33 anos, e com uma resiliência impressionante, que o levou a recuperar de lesões muito graves, o campeão de Osaca 2017 permanece entre os maiores e fecha o pódio, atrás dos norte-americanos Christian Taylor e Will Claye.

Agora treinado pelo cubano Ivan Pedroso, Nelson fecha uma época de sonho, em que já foi campeão europeu de pista coberta, então com 17,20 metros, apenas mais um centímetro do que fez esta quinta-feira.

O pódio esteve na prática inacessível, já que Taylor e Claye se instalaram nos dois primeiros lugares, bem cedo, com marcas finais de 17,68 e 17,63, respeticamente. Raramente Évora conseguiu isso, e nunca depois do hiato na carreira, por lesão e cirurgias, em 2011 e 2012.

O português abriu o concurso bem, com 17,02 metros, o que lhe dava o quarto lugar na primeira ronda. Depois, melhorou para segundo, com 17,19, e o pódio não se alterou mais, até final.

Nelson faria ainda 16,58, dois nulos e finalmente 16,01, já com o bronze assegurado.

Com os norte-americanos a outro nível, Évora acabou por se destacar por muito pouco de um 'pelotão' bastante equilibrado, já que três saltadores chegaram aos 17,16 metros - Cristian Nápoles, de Cuba, Alexis Copello, de Cuba, e Chris Bernard, dos Estados Unidos - e mais um aos 17,13, Andy Diaz, de Cuba.

Para o português, que este ano completou 33 anos, o palmarés chega às oito medalhas em grandes competições.

Em Mundiais, surpreendeu todos em Osaca 2007, com o título. Seria depois prata volvidos dois anos e bronze em 2015 e 2017. Logo a seguir a Osaca, foi campeão olímpico em Pequim2008.

A estes sucessos junta o ouro dos dois últimos europeus indoor, a que acresce o terceiro posto no Mundial de pista coberta de 2008. Tem ainda mais sete lugares de top-8 a este nível, só como sénior.

A sua carreira sofreu uma fase de quase apagamento entre 2010 e 2012, com várias lesões, uma das quais bem grave (fratura da tíbia) e cirurgias, mas conseguiu superar isso e ressurgir a um nível de novo excecional, numa espécie de 'segunda carreira', que já assumiu pretender prolongar por mais alguns anos.

Desde o início desta época que Nelson deu uma volta na sua carreira e deixou o treinador de sempre, João Ganço, pelo cubano Ivan Pedroso, recordista mundial do comprimento, que tem um grupo de treino em Madrid.

Pedroso saiu-se bastante bem destes Mundiais, já que além de Nelson também orienta a venezuelana Yulimar Rojas, a campeã do triplo feminino.

NELSON ÉVORA

Local/data de nascimento: Abidjan, Costa do Marfim, 20 abril de 1984 (33 anos).

Cabo-verdiano por filiação, foi depois naturalizado português a 27 de maio de 2002.

Clubes: Odivelas (até 1995), Benfica (1996 a 2001), FC Porto (2002 e 2003), Benfica (2004 a 2016) e Sporting (desde 2017)

Treinador: João Ganço (até 2016), Ivan Pedroso (desde 2017).

Principais recordes pessoais:

Triplo salto: 17,74 metros (Osaca, 2007) - Recorde de Portugal

Salto em comprimento: 8,10 metros (2007).

Principais resultados no triplo salto:

Campeão olímpico em Pequim2008 (6.º em 2016)

Campeão mundial em Osaca2007, vice-campeão em Berlim2009; Bronze em Pequim2015 e Londres2017, quinto em 2011.

4.º (e 6.º no comprimento) no Europeu de Gotemburgo2006 (6.º no de Zurique2014)

Campeão europeu de pista coberta em Praga2015 e Belgrado2017

3.º no Mundial de pista coberta de 2008 (4.º em 2016, 6.º em 2006)

Campeão europeu de juniores em 2003 (comprimento e triplo)

Bronze no Europeu de sub-23 em 2005

25 vezes campeão de Portugal (11 das quais em pista coberta, 11 no triplo ao ar livre).

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