Ministério Público tem mais e-mails que envolvem o Benfica

Diretor de comunicação do FC Porto revelou mais e-mails sobre alegada corrupção dos encarnados. DIAP já os tinha

O DN apurou que o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa tem na sua posse mais e-mails sobre o alegado envolvimento do Benfica em casos de possível corrupção desportiva, situações que têm vindo a ser denunciadas pelo FC Porto desde a semana passada. As novas informações divulgadas terça-feira por Francisco J. Marques, diretor de comunicação dos dragões - agora envolvendo Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica -, já estavam a ser analisadas há algum tempo pelo Ministério Público (MP).

O DN sabe que estes e outros alegados e-mails já estão na posse do DIAP de Lisboa desde o momento em que ao MP chegou uma denúncia anónima com informação envolvendo o Benfica em alegados atos de corrupção desportiva. A denúncia foi recebida no portal do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) - acessível a qualquer cidadão - e logo de imediato encaminhada para o DIAP. Apesar de os documentos estarem na posse do MP há quase duas semanas, o processo ainda não chegou à Unidade Nacional contra a Corrupção da Polícia Judiciária, que nos últimos anos tem feito investigações sobre o futebol. Segundo confirmou ontem o DN, nenhuma diligência foi solicitada, nem foi agendada alguma reunião para definir uma estratégia de investigação. Estratégia essa, porém, seja qual for, que estará já comprometida com o anúncio público feito pela Procuradoria-geral da República sobre a abertura de uma investigação.

Ainda segundo fonte judicial, a utilização dos e-mails que têm sido revelados no próprio processo não é pacífica. Há quem defenda que, uma vez obtidos de forma ilícita, não podem ser utilizados como prova, e quem considere o contrário, desde que encontradas novas provas que lhes deem suporte.

No programa de terça-feira, Francisco J. Marques revelou novos e-mails envolvendo Paulo Gonçalves (assessor jurídico do Benfica), Mário Figueiredo (antigo presidente da Liga), Adão Mendes (ex-árbitro) e Nuno Cabral (ex-delegado da Liga). Mas na semana passada, a 6 de junho, o diretor de comunicação do FC Porto já tinha denunciado aquilo que chamou de um "esquema de corrupção para beneficiar o Benfica", divulgando eventuais e-mails trocados entre o comentador e o diretor de conteúdos da Benfica TV Pedro Guerra e o antigo árbitro Adão Mendes. Tudo informações que o MP já tinha em seu poder por via da referida denúncia anónima, contendo os elementos que, agora, Francisco J. Marques vai divulgando semanalmente no Porto Canal.

Para já, apurou o DN, o inquérito não está em segredo de justiça. O que leva a que o diretor de comunicação do FC Porto não incorra, para já, em violação do segredo de Justiça. Contactada pelo DN, fonte oficial do gabinete da procuradora-geral da República Joana Marques Vidal disse não ter mais a acrescentar ao que já fora divulgado.

Mário Figueiredo confirma e-mail

Dos nomes apontados e referidos nos e-mails, só Mário Figueiredo, antigo presidente da Liga, comentou as acusações. O ex-dirigente assumiu que trocou e-mails, mas ilibou o Benfica e Luís Filipe Vieira.

"As acusações feitas pela Liga contra o Benfica e contra o seu presidente durante o meu mandato provam a independência da Liga em relação ao Benfica", revelou Figueiredo num comunicado à Lusa, explicando o teor do e-mail trocado com Vieira em 2014.

"Eu disse ao Luís Filipe Vieira para ter calma na sequência de mais uma acusação da Comissão de Instrução e Inquéritos (CII) da Liga contra o presidente do Benfica. Ele estava indignado com a acusação - pela qual acabou por ser condenado -, que considerava injusta, por não ter sucedido o mesmo ao António Salvador [presidente do Sp. Braga] e dizia ainda que estávamos a voltar ao tempo do Apito Dourado e do favorecimento ao FC Porto", salientou o antigo dirigente, apontando o dedo aos azuis e brancos: "Só o desespero em função dos catastróficos resultados desportivos obtidos nas últimas épocas pode explicar que, mais de três anos depois e tendo existido já dois outros presidentes da Liga (...), algum clube possa querer retirar ilações do acontecido em 2014 para caracterizar o estado atual do futebol português."

Os outros nomes denunciados pelo FC Porto estiveram incontactáveis até ao fecho desta edição.

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