Ministério Público confirma quatro arguidos no caso do Feirense-Rio Ave

Em causa estão suspeitas da prática do crime de corrupção na atividade desportiva

O Ministério Público (MP) confirmou hoje à agência Lusa a existência de quatro arguidos no âmbito da investigação ao encontro entre o Feirense e o Rio Ave, da I Liga portuguesa de futebol.

De acordo com o MP, em resposta a questões colocadas pela Lusa, "em causa estão suspeitas da prática do crime de corrupção na atividade desportiva".

"Este inquérito, instaurado no Ministério Público de Santa Maria da Feira e recentemente remetido ao DIAP distrital do Porto, tem quatro arguidos constituídos", refere.

Na quarta-feira, a estação televisiva SIC noticiou que quatro jogadores do Rio Ave tinham sido constituídos arguidos, por estarem envolvidos num alegado caso de viciação de resultados.

De acordo com a estação televisiva, os jogadores foram aliciados para perder jogos, nomeadamente na visita ao Feirense, um encontro da 20.ª jornada do campeonato disputado em 06 de fevereiro, que terminou com vitória da equipa da casa, por 2-1, e que na altura levantou suspeitas que motivaram a suspensão das apostas.

O Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia justificou a decisão devido ao "volume atípico de apostas registado e o risco financeiro envolvido".

A SIC acrescenta que a PJ do Porto está a investigar o caso há quase um ano e que tem fortes indícios de prática de crime. Os jogadores terão recebido avultadas somas de dinheiro para adulterarem o resultado do encontro.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?