Marinheiros portugueses da Volvo Ocean Race já estão escolhidos

Quase trinta anos depois, a maior regata de volta ao mundo volta a ter portugueses integrando de pleno direito uma tripulação

A equipa Turn The Tide On Plastic (TTOP) anunciou hoje que os velejadores portugueses Bernardo Freitas e Frederico Melo integrarão a tripulação.

Os dois estarão a bordo à vez, ou seja, irão alternando na equipa conforme as etapas. Ambos são sub-30, têm currículo essencialmente olímpico e na vela de velocidade e pertencem ambos ao Clube Naval de Cascais. Já navegaram juntos nalgumas provas, nomeadamente, no início do ano passado, no campeonato mundial Extreme Sailing Series (catamarãs 'voadores' de 10 metros), a bordo do barco da equipa Sail Portugal-Visit Madeira.

O último português a fazer esta regata foi o velejador setubalense João Cabeçadas, há quase 30 anos, em 1989, quando a Volvo Ocean Race (VOR) ainda não se chamava assim (tinha o nome original, Whitbread Round The World Race).

Depois disso, o velejador aveirense Renato Conde envolveu-se na VOR, mas sempre nas equipas de terra. Ambos são hoje atualmente chefes das equipas de terra de duas equipas de topo no campeonato mundial Extreme Sailing Series, a Alinghi (Cabeçadas) e a SAP Extreme (Conde).

A equipa TTOP que Freitas e Melo integrarão é a primeira na história da VOR a ter bandeira portuguesa, por via do envolvimento do empresário português Paulo Mirpuri (setor da aviação). Terá também bandeira da ONU, por causa do apoio que recebe, para a mensagem ecológica que pretende passar, da Agência do Ambiente. A skipper é a britânica Dee Caffari, uma veterana das regatas de circumnavegação, a qual pretende ter uma equipa rigorosamente paritárias entre homens e mulheres (cinco velejadores por género).

Bernardo Freitas, de 27 anos, foi em 2013 o timoneiro da equipa portuguesa que concorreu à Taça América juvenil (Red Bull Youth America's Cup), obtendo um surpreendente terceiro lugar, entre nove equipas presentes. O timoneiro vencedor foi então o neo-zelandês Peter Burling, que há semanas, foi o leme da equipa Emirates Team New Zealand, que "roubou" aos americanos do Oracle Team USA, nas ilhas Bermudas, a Taça América, o mais importante troféu internacional da vela de velocidade. Em 2012, nos Jogos Olímpicos de Londres, Bernardo Freitas, fazendo equipa com Francisco Rebello de Andrade, ficou em 8º na classe 49er, uma melhores classificações de sempre na vela olímpica portuguesa.

Bernardo Freitas comentou o facto de ter sido escolhido dizendo que "concretiza um sonho" que tem "desde pequenino". Segundo acrescentou, para ser velejador na VOR "a parte psicológica é chave".

Já Frederico Melo considerou este "o dia mais importante" da sua vida como velejador, sublinhando que a prova exige "um misto de força física, competências e poder mental".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.