Marcelo, o adepto n.º 1 da Seleção, traça futuro de CR7: "É para a Bola de Ouro"

Presidente da República acompanhou o Portugal-Espanha na Arena Portugal, no Terreiro do Paço

A tarde começou bem, com um penálti a favor de Portugal logo a abrir o jogo com a Espanha. Entre Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, e o ministro Pedro Marques, Marcelo Rebelo de Sousa compôs-se na cadeira, aplaudiu com vigor a decisão do árbitro e, de seguida, esfregou as mãos de contente, exibindo um sorriso malicioso. Vinte minutos depois, porém, precisamente após uma jogada em que Gonçalo Guedes quase fazia o 2-0, Diego Costa empatou a partida, levando os seis adeptos da La Roja, que ontem se destacaram dos milhares que encheram a Arena Portugal no Terreiro do Paço, em Lisboa, à euforia. Nas hostes portugueses, comentava-se o golo adversário recorrendo aos clássicos "o futebol é isto mesmo", "quem não marca, sofre" e o mais otimista "isto ainda não acabou, vamos lá".

E fomos. Antes do intervalo, Cristiano Ronaldo pôs o Presidente a gritar "Portugal, Portugal, Portugal", se bem que sem esconder a preocupação: "Começámos muito bem aos 15 minutos, mas o golo espanhol deitou a equipa abaixo."

Chegado ao intervalo, aproveitou para explicar a calma aparente, mesmo nos momentos mais perigosos do jogo: "Vibro mas sou um analista há 50 anos, vou analisando tudo." E avisou: "A Espanha está a subir." Ainda a frase vai a meio e já uma senhora o arranca para uma selfie. "Pode ser com uma cerveja na mão, pode, senhor Presidente?" grita um homem, por sua vez já servido. Empunhando uma mini, cuja marca esconde subtilmente com os dedos, o presidente esboça o sorriso contido de quem está a vencer por apenas um golo.

O que diria Marcelo aos jogadores no intervalo? "Que têm de ser mais rápidos. Surpreender e aguentar a pressão"

Foi a primeira de uma enxurrada de solicitações, na sua maioria por parte de jovens. Elisa, de 19 anos, votou no "Professor Marcelo", como lhe chama, e confessa: "Adoro-o." "Ela gosta de homens mais velhos", explicou o namorado.

Pouco antes do recomeço do jogo, numa brevíssima ausência de solicitações, o Presidente levou o arqueológico Nokia ao ouvido: "Fernando, Fernando, grande abraço." "Deixei mensagem [ao selecionador Fernando Santos]. Neste momento está a falar com os jogadores", diz após desligar.

O que lhes diria Marcelo? "Que têm de ser mais rápidos, jogar mais à frente e surpreender os espanhóis. Surpreender e aguentar a pressão, porque isto vai ser muito, muito complicado."

Dito e feito. O jogo recomeça e, dez minutos depois, Diego Costa volta a bater Rui Patrício. Marcelo abana a cabeça e franze o nariz.

Estávamos portanto com um problema e quando assim é entra Ricardo Quaresma. O presidente aprovou, aplaudiu e sorriu. Um vento frio era mau prenúncio. Se aguentou o frio das marchas não seria ali que iria constipar-se mas, pelo sim pelo não, pediu o sobretudo. Aos 58 minutos, Nacho gelou Marcelo. O presidente bebericou a cerveja e aconchegou o cachecol ao pescoço. No ecrã gigante, os espanhóis não largavam a bola. Nós a correr atrás dela e o tempo a passar. Pela cara, via-se o coração do presidente a afundar-se no peito. Nisto, Ronaldo "sacou" um livre. Gerou-se um consenso imediato: é livre para golo. CR7 atacou a bola e marcou. Marcelo levantou os braços em aplauso com um sorriso de orelha a orelha. Cinha Jardim aproximou-se e abraçou e beijou Marcelo. Uma outra senhora, igualmente bronzeada, imitou-a.

O jogo foi retomado. "Só mais um", grita o povo, aos saltos. Marcelo absteve-se mas comenta: "Ronaldo está a jogar para a Bola de Ouro. É para isso. Até final temos de garantir que a Espanha não ganha a bola." E o final chegou com a confissão: "A certa altura estava mesmo muito, muito preocupado." E como resumir o jogo nas palavras do Presidente: "Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo!"

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

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