Marcelo Boeck: "É um misto de alívio e tristeza"

O antigo guarda-redes do Sporting escapou ao acidente aéreo que matou 71 pessoas porque não era opção do treinador

Marcelo Boeck, antigo guarda-redes do Sporting que se transferiu no início do ano para a Associação Chapecoense, no Brasil, sente um misto de alívio e de tristeza, depois do acidente aéreo que matou 71 passageiros, na passada terça-feira, a maioria deles do clube. O jogador não embarcou para a Colômbia, onde se ia jogar a primeira mão da final da Taça Sul-Americana com o Atlético Nacional porque não era opção do treinador.

"Na hora, a gente acha que foi injustiçado, que por algum motivo que não entendemos, a gente não foi viajar. Agora a gente sabe que teve uma segunda chance e sente um misto de alívio e tristeza", disse o guarda-redes ao Globo Esporte. "Nós que ficamos aqui, que tivemos uma segunda chance, temos de dar consolo e ajuda para aqueles que precisam. Não podemos deixar que esqueçam aqueles que partiram. E também precisamos direcionar nossas orações aos que ainda estão lutando pela vida", acrescentou Marcelo Boeck, que era a terceira opção do treinador Caio Júnior.

Os outros guarda-redes da Chapecoense iam a bordo. Danilo foi resgatado com vida, mas acabou por morrer no hospital. Jackson Follmann foi um dos seis sobreviventes, encontrando-se ainda hospitalizado depois de lhe ter sido amputada parte da perna direita. Marcelo Boeck passou, de acordo com a mesma fonte, a semana inteira no estádio de Chapecó, mas não pensa no regresso aos relvados.

"Mais do que entrar em campo, eu não posso deixar que esqueçam o Danilo, o Buião, treinador dos guarda-redes, e o Follmann, que ainda está lutando pela vida", afirmou, defendendo que "o futebol está em segundo plano".

No entanto, Marcelo Boeck mostra-se disponível para ajudar o clube a recuperar da tragédia. "Se a Chapecoense quiser, eu estou aqui para continuar essa história. Quando a gente perde um número grande de pessoas, deixar o clube na mão não seria legal. Eu quero ajudar na reconstrução. Eu quero fazer parte disso e não deixar o clube morrer", garantiu.