Mais um momento histórico para a seleção feminina

Primeira vitória de sempre na fase final de uma grande competição. Vítima foi a Escócia, derrotada por 2-1, com golos de Carolina Mendes e Ana Leite

Primeiro, festejou-se de forma exuberante o primeiro golo português num Europeu feminino, marcado aos 27 minutos por Carolina Mendes (uma das novidades no onze em relação à partida com Espanha) e que colocou a seleção nacional em vantagem com a Escócia. Mas o melhor estava para vir, com a confirmação da primeira vitória de Portugal numa grande competição. O futebol feminino nacional continua a somar momentos históricos à sua evolução.

Ainda houve um momento de alguma apreensão quando as escocesas chegaram à igualdade, aos 68 minutos, mas a reação foi quase imediata, com Ana Leite a colocar de novo Portugal em vantagem, aos 72", apenas dois minutos depois de entrar em campo.

É verdade que houve alguma fortuna portuguesa, não só na forma como a jogadora recém-entrada logo marcou como, principalmente, num lance aos 85 minutos, em que a bola bateu no poste direito da baliza de Patrícia Morais. No entanto, no balanço geral, a primeira vitória portuguesa na fase final de uma grande competição pareceu chegar com toda a justiça, premiando a excelente atitude demonstrada ao longo da partida.

A formação lusa valeu essencialmente pelo coletivo, mas é impossível não destacar a bela prestação da extremo Diana Silva, com "pilhas" para todo o jogo e sucessivas jogadas em alta velocidade junto à linha. Já Cláudia Neto fez valer toda a experiência, acelerando quando era necessário e congelando a bola em outras ocasiões. Na defesa, Dolores Silva esteve intransponível, tendo sido considerada a melhor em campo pela UEFA.

Apesar desta vitória, é muito complicado o cenário para Portugal passar aos quartos-de-final do Europeu... Para que isso aconteça, será necessário vencer a poderosa Inglaterra na última jornada do grupo, a não ser que a Espanha seja derrotada pela Escócia. Neste último (pouco expectável) cenário, bastaria o empate à seleção nacional. Refira-se que as inglesas bateram ontem as espanholas por 2-0, liderando com seis pontos e tendo já garantido a qualificação para a próxima fase. Portugal e Espanha têm três pontos e, como o primeiro fator de desempate é o confronto direto, a equipa nacional terá sempre de fazer melhor do que la roja, que venceu a equipa de Francisco Neto na primeira jornada.

Tudo saiu na perfeição

O selecionador, que recebeu um telefonema do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no final do jogo, reconheceu que tudo correu bem a Portugal. "Desta vez tivemos boas decisões. Às vezes não surtem efeito, mas hoje foi tudo perfeito", sublinhou.

Dolores Silva, eleita a melhor em campo pela UEFA, sublinhou que este "é um prémio coletivo de todas as jogadoras e qualquer uma poderia ter sido distinguida". Diana Silva falou em "dever cumprido", frisando que a equipa "lutou muito para isto".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.

Premium

Viriato Soromenho Marques

A política do pensamento mágico

Ao fim de dois anos e meio, o processo do Brexit continua o seu rumo dramático, de difícil classificação. Até aqui, analisando as declarações dos principais atores de Westminster, o Brexit apresenta mais as tonalidades de uma farsa. Contudo, depois do chumbo nos Comuns do Plano May, ficou nítido que o governo e o Parlamento britânicos não só não sabem para onde querem ir como parece não fazerem a mínima ideia de onde querem partir. Ao ler na imprensa britânica as palavras de quem é suposto tomar decisões esclarecidas, quase se fica ruborizado pelo profundo desconhecimento da estrutura e pelo modo de funcionamento da UE que os engenheiros da saída revelam. Com tamanha irresponsabilidade, não é impossível que a farsa desemboque numa tragicomédia, causando danos a toda a gente na Europa e pondo a própria integridade do Reino Unido em risco.