Lisboa continua nos planos "mas não é uma certeza"

Imagem do novo VOR 60, divulgada pela organização

Organização da maior regata à volta do mundo apresentou ontem, em Gotemburgo, Suécia, o seu projeto para os próximos dez anos. Cada equipa terá dois barcos

Lisboa está definitivamente pensada para continuar a figurar no mapa da Volvo Ocean Race (VOR), pelo menos durante mais dez anos. Contudo, entre os projetos e as certezas ainda vai um passo que a organização da prova não arrisca dar.

"Queremos que aquela instalação [o estaleiro instalado na Doca de Pedrouços] seja parte da próxima década. Está claramente nos nossos planos. Mas não é uma certeza", afirma Nick Bice, o australiano responsável por esta infraestrutura da competição, deixando pelo meio suaves protestos contra a mania nacional do red tape (burocracia).

Nos últimos meses foi naquele estaleiro que foram aperfeiçoados todos os barcos que iniciarão no final do verão mais uma regata da VOR. E, pelo que ontem foi anunciado em Gotemburgo, o boatyard da Doca de Pedrouços teria um futuro sorridente à sua frente - o boatyard, os seus técnicos especializados da indústria náutica, os negócios em torno do seu alojamento (e das suas famílias) em Portugal, as empresas portuguesas que lhe começam a fornecer serviços, etc.

Depois da próxima edição, a regata prepara-se para, quase literalmente, levantar voo. Ontem, Bice e Mark Turner, o CEO da prova, anunciaram a próxima geração de veleiros que constituirá a frota. E confirmou-se o que se já se suspeitava: os barcos da Volvo Ocean Race continuarão a ser monocascos - perderam os que defendiam que passassem a ser trimarãs - mas vão adotar a tecnologia do foiling, uma tecnologia que, através de patilhões que têm na água o efeito que os flaps dos aviões têm no ar, faz literalmente cada barco içar-se acima da água, perdendo grande parte do atrito e com isso registando aumentos assombrosos das velocidades dos veleiros (os catamarãs da Taça América já foram cronometrados a 46 nós, ou seja, 85 km/hora). A construção já foi adjudicada aos estaleiros da Persico, em Itália.

Mas não foi esta a única novidade. Na verdade cada equipa deixará de ter apenas um barco para fazer a prova e passará a ter dois. O monocasco foiling, com 18,3 metros (mais pequeno, portanto, do que o atualmente barco, que tem 20 m), servirá para as etapas oceânicas. Mas para as pequenas regatas costeiras que as equipas fazem em cada porto de paragem - e cuja pontuação passará a servir mais do que para meramente efeitos de desempate na geral - será construído um catamarã, com comprimento entre os dez e os 15 metros, igualmente dotado do tal foiling.

Ora tanto para o novo monocasco como para o novo multicasco o que se projeta é que a Doca de Pedrouços sirva para fazer a montagem final dos barcos, juntando numa só "peça" todas as suas componentes diferentes (cascos, mastros, cabos, electrónica, etc., etc., etc). Isto, é claro, se a Volvo Ocean Race continuar a sentir que tem razões para ficar ali, o que dependerá, evidentemente, das condições que lhe forem oferecidas para ficar.

Além do mais, o trabalho irá intensificar-se - e isso resulta de um outro anúncio ontem feito: havendo um monocasco muito mais rápido ao serviço das equipas, esta regata à volta do mundo tem condições para encolher o seu ciclo. Deixará de se realizar de três em três anos - espaço de tempo que torna muito difícil obter patrocínios que não sejam apenas para uma campanha - para se realizar de dois em dois. Concretizando-se isto, a regata a seguir à próxima começará em 2019 e não em 2020.

Para a Doca de Pedrouços, a VOR pensa ainda na instalação de uma academia de formação de velejadores (quer aliás instalar várias pelo mundo fora), sendo o objetivo permitir a marinheiros olímpicos que façam a transição para a vela oceânica.

Dos planos para a VOR no futuro faz ainda parte a possibilidade de se reinventar a rota, com, por exemplo, uma etapa que de pequena volta ao mundo, circundando totalmente a Antártica (vulgo: Polo Sul). Também é possível que um dia a regata deixe de partir da Europa - mas para já, durante as próximas edições e as suas seguintes, Alicante continuará a capital.

Em Gotemburgo. O DN viajou a convite da Volvo Ocean Race

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