Lisboa com sabor amargo para a equipa portuguesa da Extreme

Tripulação liderada por Diogo Cayolla não convenceu árbitros da sua razão no acidente de sábado. "Merecíamos um bocadinho mais", disse o velejador.

A etapa de Lisboa da Extreme Sailing Series terminou este domingo com a vitória da equipa suíça Alinghi - a terceira consecutiva e a quarta da época - e agora o campeonato segue, ao rubro, para a Austrália, onde, de 8 a 11 de dezembro, o campeonato terminará.

O Oman Air, capitaneado pelo veteraníssimo velejador norte-americano Morgan Larson, continua à frente do campeonato, mas agora apenas com dois pontos de vantagem sobre os suíços, que têm ao leme o muito jovem velejador Arnaud Psarofaghis.

Para Larson e a sua tripulação, o circuito de Lisboa foi de longe o pior do ano. Pela primeira vez no campeonato deste ano, ficaram fora do pódio, ultrapassados, justamente na 23ª e última regata, pelos austríacos do Red Bull, que tem ao leme o duplo medalha de ouro olímpico Roman Hagara, que é, aos 50 anos, de longe o mais veterano dos marinheiros do campeonato. Nas 23 regatas realizadas entre quinta-feira e este domingo, Larson só conseguiu vencer duas. E este domingo, nas duas últimas do dia (realizaram-se seis), ficou em ambas em penúltimo lugar (8ª posição), enquanto o Red Bull venceu ambas. Em segundo lugar em Lisboa ficou o Norauto, equipa francesa liderada pelo neozelandês Adam Minoprio. É uma equipa que só veio a Lisboa por imposição do patrocinador pelo que a sua classificação não contou para a do campeonato.

Para a generalidade dos velejadores, Lisboa foi o melhor circuito da época, pelas condições de ventos fortes que ofereceu, sobretudo no sábado e no domingo. Mas para a equipa portuguesa Sail Portugal-Visit Madeira ficou um travo amargo. No sábado, a meio do dia das corridas, foram abalroados pelo Vega Racing, do norte-americano Brad Funk, e obrigados, com um grande rombo no casco do lado direito, a tirar o barco da água, para reparações, não fazendo as três últimas corridas do dia.

Durante toda a noite de sábado para domingo, Gil Conde, o velejador-mecânico da equipa de terra, esteve, com outros mecânicos da organização, a reparar o catamarã. Este final de manhã já estava pronto para voltar ao mar - e assim aconteceu. O pior, no entanto, estava para vir. O protesto que a equipa portuguesa apresentou não teve acolhimento entre os árbitros internacionais da prova, numa votação de 4-3. Dito de outra forma: a equipa portuguesa contava que a pontuação continuasse a contar nas provas que não fez à média da pontuação que até ao acidente estava a fazer. Seriam 21 pontos a mais, nas contas do DN. Ou, dito de outra forma: a equipa começaria hoje o dia em 6º na geral e não em 7º, como aconteceu, sem os pontos das três regatas que não fez.

No mar, as coisas também não correram bem à equipa liderada por Diogo Cayolla. É certo que logo na primeira regata foi ao pódio, com um terceiro lugar. A brisa soprava forte - mas não tanto como anteontem. Mas depois, nas quatro regatas seguintes, ficaram em último ou em penúltimo lugar, perdendo pontos para o Vega Racing, que o ultrapassou na classificação (e registou notórias melhorias na navegação ao longo de toda a prova). Houve "alguma falta de comunicação a bordo", explicou Cayolla depois. Só não foi pior porque na última corrida do dia a tripulação pôs tudo o que sabia e o que não sabia na navegação, conseguindo fazer um terceiro lugar. "Fechamos com chave de ouro", disse o homem do leme, mas não sem ao mesmo tempo acrescentar um lamento: "Acho que merecíamos um bocadinho mais." Em suma: em 23 regatas a equipa venceu uma e noutras duas foi ao pódio (um segundo e um terceiro lugar). A equipa está em sexto lugar no campeonato e, aritmeticamente, é-lhe possível em Sidney recuperar uma posição, passando para quinto (no circuito australiano os pontos são a dobrar).

E se de sábado para domingo o comandante do team português foi Gil Conde, este domingo quem esteve na berlinda foi o seu irmão, Renato Conde, velejador no SAP Extreme. Nas manobras preparatórias da primeira regata do dia, o barco foi abalroado pelo da equipa feminina Thalassa Magent Racing. Mais uma vez, rombo no casco e o barco a ser transportado para a Doca de Pedrouços e depois içado para terra. Aí entrou em ação Renato Conde que, como o seu irmão, não só é velejador como um mecânico especialista em fibras e compósitos. Renato conseguiu remendar o casco e o SAP voltou ao mar. Das seis regatas do dia, completou duas. Mas como no acidente a culpa foi do Thalassa, o SAP continuou a acumular pontos à média dos que estava a fazer. Ficou em quinto no circuito e está em quarto na geral do campeonato.

Esta segunda-feira, num hotel de Lisboa, a organização da Extreme Sailing Series irá anunciar o mapa do circuito para 2017. A manutenção de Lisboa no campeonato era este domingo uma das grandes dúvidas. A Madeira, onde a prova passou há 15 dias, só sairá se quiser. Especulava-se sobre a possibilidade de o campeonato rumar aos EUA e ao México, saindo a Austrália. Ao fim da manhã já se saberá.

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