Lance Stroll, um milionário de 17 anos à porta da Fórmula 1

Jovem canadiano é um forte candidato a substituir Felipe Massa na Williams, após ter sido preparado nos laboratórios da Ferrari e apoiado pela fortuna do pai

Michael Schumacher, recordista de títulos na Fórmula 1, tinha 22 anos quando disputou a primeira corrida. Lewis Hamilton, atual campeão mundial, tinha a mesma idade. E o malogrado Ayrton Senna era um pouco mais velho, com 23 anos. Lance Stroll pode bater os registos de três ídolos de diferentes gerações, estando já, antes de completar o 18.º aniversário, a bater às portas da Fórmula 1.

Aos 17 anos, o jovem natural de Montreal, do Canadá, está na linha da frente para ingressar no circuito mundial, com a ajuda da imensa fortuna do pai. Lawrence Stroll é, segundo a revista Forbes, o 722.º homem mais rico do mundo, com uma fortuna superior a dois mil milhões de euros. Além de vários investimentos no mundo da moda (é um dos patrões da Tommy Hilfiger e levou marcas como a Ralph Lauren e a Pierre Cardin para o Canadá), o empresário de 57 anos possui uma coleção de carros da Ferrari e é dono do Circuito Mont--Tremblant. A paixão pelos desportos motorizados foi passada ao filho, que aos 10 anos já tinha sido eleito o Jovem do Ano para a Federação de Desporto Automóvel do Quebec, província que reúne um quarto da população do Canadá.

À imagem de muitos pilotos de Fórmula 1, Lance começou a dar cartas no karting, sempre apoiado pelo pai, cuja proximidade com a Ferrari permitiu ao jovem piloto integrar a Academia da escuderia italiana. Lawrence assumiu o projeto de criação de um "piloto de laboratório" da Fórmula 1, o que permitiu ao filho tornar-se o segundo piloto mais jovem a ser contratado por uma equipa da modalidade.

Na Ferrari, o Stroll mais novo trabalhou com o engenheiro italiano Luca Baldisserri, que colaborou com Ross Brawn, Jean Todt e Michael Schumacher na escuderia. Porém, Lance acabou por não ficar no projeto para lá de 2015, altura em que a Williams o recrutou como piloto de testes, com perspetivas de poder entrar na F1 a médio prazo.

Mais de 30 milhões já investidos

Lance vai celebrar o 18.º aniversário a 29 de outubro e é possível que festeje a data a dobrar. O jovem canadiano, que tem residência em Genebra (tal como os pais), é o atual líder da Fórmula 3 europeia e leva 68 pontos de vantagem sobre o alemão Maximilian Günther, numa altura em que faltam apenas duas corridas para o final da temporada. Só uma reviravolta inesperada tirará o título a Lance Stroll, cuja entrada na Fórmula 1, com ou sem título em F3, pode estar para muito breve.

Na Williams, é tempo de uma nova geração. Após 14 épocas na Fórmula 1, Felipe Massa vai retirar-se das pistas, abrindo uma vaga na escuderia. Perante a falta de acordo com Jenson Button, a Williams tem, neste momento, três pilotos debaixo de olho, sendo certo que as equipas de F1 não procuram apenas mãos hábeis ao volante: é também do interesse das equipas que o piloto traga grandes apoios monetários e comerciais.

Neste capítulo, Lance Stroll dá goleada, graças à fortuna do pai, altamente disponível em investir, ou não tivesse ele investido já mais de 30 milhões de euros no percurso do filho, segundo as contas avançadas pelo portal GrandPrix.

Felipe Nasr, compatriota de Massa e que pertence à Sauber, chegou a ser apontado como o favorito, mas o facto de Lance ser seis anos mais novo e de ter a fortuna do pai podem desequilibrar a balança a seu favor. O terceiro candidato é o mexicano Sergio Pérez (26 anos), tendo já disputado mais de cem corridas na sua carreira de F1. Está atualmente na Force India--Mercedes.

Vencedor da F4 italiana em 2014 e 5.º classificado em F3 no ano passado, Lance ainda aguarda a oficialização da sua superlicença para poder competir em Fórmula 1 - algo que acabará por ser conseguido, pois basta ser 3.º classificado na atual temporada e completar o 18.º aniversário para obter a permissão.

Inicialmente, os planos da família Stroll passavam por integrar Lance na Prema GP2 - equipa de que Lawrence é proprietário -, permitindo a Lance dar mais um passo competitivo antes de chegar à Fórmula 1. Porém, a janela de oportunidade na Williams pode antecipar o salto.

"Penso que a F3 já tem um nível muito alto e está apenas um passo abaixo da GP2 Series. No entanto estou preparado para ingressar na F1. Os nossos monolugares têm muita carga aerodinâmica, mas muito menos potência do que um F1. Porém, o nível de competitividade é muito alto", disse Lance, assumindo o sonho de "ser campeão mundial de Fórmula 1".

Curiosamente, Lance chegou a experimentar muitos outros desportos: esqui, snowboard, surf, ciclismo, hóquei, ténis e golfe. Mas a paixão está mesmo na Fórmula 1. "Acredito que vou lá chegar, um passo de cada vez", rematou.

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