Irlanda vence Seis Nações mas comemora triunfo no hotel

A seleção irlandesa garantiu esta tarde o triunfo no Torneio das Seis Nações ao vencer a Escócia, em Dublin (28-8) e tirando partido da surpreendente derrota da Inglaterra em Paris às mãos da França (22-16).


Depois de vencer sem apelo nem agravo uma seleção escocesa que ficou a dever a si própria um par de ensaios, os irlandeses - que para lá do triunfo somaram um ponto de bónus ofensivo pelos quatro ensaios obtidos, dois deles através do ponta Jacob Stockdale, o melhor marcador da prova, com seis - assistiram, confortavelmente sentados nos sofás do seu hotel, ao França-Inglaterra que poderia, desde logo e se as coisas lhe sorrissem, dar-lhes o quarto triunfo no Seis Nações depois dos conseguidos em 2009, 2014 e 2015. E sorriram!

No Aviva Stadium de Dublin, a Escócia começou melhor (3-0 num pontapé de Laidlaw) mas dois ensaios de Stockdale (o primeiro numa interseção e depois a receber passe de Bundee Aki) e uma exibição autoritária, plena de entrega e criatividade dava uma vantagem de 11 pontos ao intervalo aos homens de Joe Schmidt (14-3).

Conor Murray alargou a vantagem do quinze da casa antes que o ponta Blair Kinghorn desse aos visitantes alguma esperança para a última meia-hora no seu primeiro ensaio internacional. Mas a Irlanda continuava a controlar o encontro e um derradeiro ensaio do entrado Sean Cronin dava o crucial ponto de bónus que punha toda a pressão na Inglaterra que, pouco depois, iria iniciar o jogo em Paris.

Inglaterra: Duas derrotas seguidas fora de casa

Ora inesperadamente uma equipa tão experiente, matreira e eficaz como esta Inglaterra de Eddie Jones não suportou a necessidade absoluta de ter que vencer marcando pelo menos quatro ensaios para manter a esperança de resolver tudo em casa dentro de uma semana e soçobrou com estrondo em Paris.

Eram precisos ensaios mas o quinze hoje liderado por Owen Farrell na 1.ª parte apenas marcou através de penalidades - e a primeira tentativa aos 4", indicava desde logo a pouca disponibilidade inglesa para arriscar como devi, pois a opção de ir aos postes em vez de tentar o pontapé para a touche não augurava nada de bom...

E com a França a vencer quase todos os combates corpo-a-corpo (afinal a agressividade e brutalidade exigidas por Eddie Jones estavam no lado do adversário...) ao intervalo as equipas empatavam a 9 pontos com Maxim Machenaud irrepreensível a converter os três pontapés que dispôs.

Na 2.ª parte uma placagem alta de Anthony Watson impedindo um ensaio cantado de Benjamin Fall obrigou o árbitro Jaco Peyper a dar ensaio de penalidade e a excluir por 10 minutos o defesa inglês e perto da hora de jogo nova penalidade de Machenaud colocava a França na frente por 19-9.

Só aí a Inglaterra, vencedora do Torneio nos últimos dois anos, reagiu. Mas já era o demasiado tarde e o ensaio de Jonny May apenas atenuou o desaire, pois nova infantil falta em frente dos postes deu azo ao derradeiro ato da partida com Lionel Beauxis a converter a penalidade que selava os finais e humilhantes 22-16.

E pela primeira vez desde 2009 a Inglaterra perdia dois jogos sucessivos fora de casa. E agora Eddie Jones?

Assim, a Irlanda vai entrar já com o título no bolso em Twickenham, no duelo do próximo sábado com os ingleses em dia de S. Patrick, e com a possibilidade de conseguir o Grand Slam (vitória em todos os jogos) que será apenas o terceiro de sempre depois dos alcançados em 1948 e 2009.

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