"A nova FIFA é uma democracia, não uma ditadura"

Abertura do congresso do organismo, no Bahrain, marcado pelas críticas à não renovação dos mandatos dos responsáveis pela Comissão de Ética.

"Estamos a reconstruir a reputação da FIFA depois de tudo que aconteceu", afirmou Gianni Infantino, referindo-se ao escândalo de corrupção que abalou em maio 2015 a instituição e que levou à saída de seu antecessor, o suíço Joseph Blatter.

Infantino desafiou os presentes na sala que pretendam tirar partido da sua posição para enriquecer a deixar o futebol imediatamente e assegurou que a FIFA mudou e que os seus atuais responsáveis preferem os atos às palavras.

"Não vou aceitar lições de governação de pessoas que não conseguiram proteger o futebol e a FIFA", disse ainda Infantino, criticando os peritos pagos generosamente para reformar o organismo e que nada fizeram, validando um sistema que não funcionou.

A direção da FIFA, reunida na terça-feira para preparar o congresso, decidiu ainda não renovar os mandatos dos dois presidentes da Comissão de Ética, organismo responsável pela suspensão de Joseph Blatter e o presidente da UEFA, o francês Michel Platini.

O suíço Cornel Borbély, um dos presidentes da Comissão de Ética, disse na quarta-feira que a sua expulsão foi "um retrocesso na luta contra a corrupção" e significa, "de facto, acabar com os esforços de reforma da FIFA".

Já o paraguaio Alejandro Dominguez, presidente da Comissão de Finanças, disse que a FIFA se encontra "financeiramente forte" e espera concluir o exercício de 2015-18 com "um saldo positivo de 100 milhões de dólares" (cerca de 92 milhões de euros).

Dominguez, também presidente da CONMEBOL, acrescentou que a FIFA "confirmou as suas metas no que refere às receitas, pese embora tenha triplicado o seu financiamento".

O congresso aprovou as contas de 2016 e o orçamento para 2018, ano em que organizará o Campeonato do Mundo, na Rússia.

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