Geórgia de 'serviços mínimos' chegou e sobrou para Portugal

A 14.ª potência mundial veio hoje a Lisboa derrotar a jovem seleção nacional por concludentes 29-3

Se dúvidas ainda existissem depois do excelente comportamento tido na Taça do Mundo do ano passado - na qual carimbou já o passaporte para o Mundial 2019, no Japão -, a Geórgia mostrou esta tarde de sábado, no EULisboa, que tem uma seleção de enorme qualidade e apta a enfrentar, olhos nos olhos, as principais potências do râguebi do planeta. E portanto, milhas à frente de Portugal, que desde 2005 (há 11 anos!) não a vence ...

E mesmo não sentindo necessidade de "meter uma velocidade extra" ao longo dos 80 minutos - limitou-se a aproveitar as deficiências de peso, poder e experiência da imberbe seleção nacional, e marcou três dos seus quatro ensaios em superioridade numérica por suspensões de jogadores nacionais, incapazes de aguentar o peso do seu pack - selou esta deslocação à capital com uma vitória clara (29-3, o seu maior triunfo de sempre em Lisboa) e alcançando um ponto de bónus, o que lhe permite dilatar a sua vantagem no topo da Taça Europeia das Nações.

Com seis alterações em relação ao quinze que há uma semana perdeu na Roménia (39-14) - Ian Smith quer testar o maior número de atletas para os jogos cruciais que se seguem - os Lobos fizeram o possível. Mas não peçam o impossível a uma equipa que apresentou na ficha de jogo 16 jovens abaixo dos 23 anos!

Entrando bem e determinado a favor do forte vento, Portugal até teve mais posse de bola nos 20 minutos iniciais, mas sem nunca conseguir perfurar a bem estruturada defesa contrária. Na sua estreia como médio de abertura, o habitual centro Tomás Appleton mostrava-se engenhoso e imaginativo, mas as três primeiras mêlées de introdução georgiana resultaram noutras tantas faltas da sofrida 1.ª linha nacional... e logo se percebeu que a tarde ia ser complicada.

Mesmo com um homem a menos por amarelo ao pilar Kubriashvili, a pentacampeã europeia abriu o marcador aos 19 minutos (3-0 numa penalidade de Kvirikashvili). Mas logo a seguir um belo pontapé alto de Appleton originou uma falta que Nuno Sousa Gudes não enjeitaria, estabelecendo o empate (3-3).

Mas a partir daí, como que os primeiros pontos portugueses acordaram a equipa do Cáucaso, que começou a encadear jogo em boas sequências pelos poderosos avançados galgando muito terreno.

A meio da 1.ª parte o regressado defesa Pedro Bettencourt - por uma única vez - ultrapassou a linha de vantagem, mas o lance perder-se-ia por falta de efetivo apoio. E quando se viu em vantagem numérica (amarelo a Bruno Rocha por sucessão de faltas na mêlée) faria dois ensaios de rajada. Primeiro num imparável maul dinâmico por intermédio do asa Tkhilaishvili, e em cima do intervalo, numa bela jogada do fantástico formação Lobzhanidze, só 19 anos (o mais jovem jogador a atuar numa fase final de um Mundial, aos 18 anos e 340 dias), que perfurou de alto a baixo a defesa portuguesa dando depois para Kvirikashvili - mais 14 pontos contra Portugal, a quem já marcou um totalde 100!- que surgiu muito bem no apoio, fazendo os 15-3 ao intervalo.

A favor do vento a 2.ª parte foi praticamente toda jogada pela Geórgia no meio-campo nacional perante o desespero dos Lobos, sem bola para jogar - e quando a tinham invariavelmente a chutavam alto e sem qualquer nexo, ofertando a oval aos adversários, que agradeciam e voltavam a provocar dolorosos embates corpo a corpo.

O talonador Zhvania logo após o pontapé de recomeço (!) bem captado pelos georgianos fez o terceiro ensaio e com Portugal encostado às cordas, o centro Sharikadze faria aos 65 minutos o quarto, quando os Lobos estavam com um homem a menos por amarelo a Diogo Toorn, que entrara há poucos minutos, por derrube intencional de um maul.

E só com o quarto ensaio alcançado - e objetivo totalmente atingido - a Geórgia "fechou a loja", permitindo que a seleção portuguesa respirasse, esticasse um pouco o seu jogo e pisasse terrenos mais adiantados. Mas sem nunca autorizar sequer o sonho de um eventual ensaio de honra...

Portugal alinhou com: Pedro Bettencourt (Nuno Bettencourt); Tomás Noronha, José Maria Vareta, Manuel Vilela (Francisco Appleton), Nuno Sousa Guedes (3); Tomás Appleton, Francisco Pinto de Magalhães, Luís Portela, Miguel Macedo, Maxime Vaz (Salvador Vassalo), Gonçalo Uva (Diogo Toorn), Luís Cerquinho (Volodymyr Grikh), Bruno Rocha (Francisco Domingues), Duarte Diniz (Mike Tadjer) e Bruno Medeiros(José Conde)..

Nos outros jogos desta 7.ª jornada a Roménia foi a Madrid vencer a Espanha, por 21-18 e a Rússia bateu, em casa, a Alemanha, por 46-20.

A Geórgia lidera a tabela com 31 pontos, seguida da Roménia (24), Rússia (22), Espanha (16), Portugal (5) e Alemanha (1). A prova é agora interrompida no próximo fim-de-semana e dentro de 15 dias Portugal defronta os alemães em Hannover, num partida decisiva para a manutenção nesta II divisão europeia.

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