França-Argentina 40 anos depois. Neutralizar ou potenciar Messi?

A última vez que se defrontaram oficialmente foi no Mundial78. O número 10 argentino foi o tema das conferências. Deschamps diz que é um "prodígio"; Sampaoli um "farol"

O último jogo oficial entra a França e a Argentina aconteceu há 40 anos. No Mundial 1978, no Monumental de Buenos Aires, as duas seleções defrontaram-se na fase de grupos e os sul-americanos venceram por 2-1, golos de Passarella e Luque (Platini marcou para os gauleses), numa constelação de estrelas sem Maradona e orientada por Menotti. Os gauleses acabaram por cair logo nesta fase e a Argentina sagrar-se-ia campeã do Mundo.

Hoje voltam a defrontar-se (15.00), agora com os quartos de final do Mundial em ponto de mira. Frente a frente estará a seleção mais jovem presente nos oitavos (a França, média de idades de 25,5 anos) e a mais velha (Argentina, 29 anos). Messi está com 31 anos e 13 jogadores argentinos já ultrapassaram a casa dos 30 - o mais velho é o guarda-redes Caballero, 36 anos. Na França brilha o jovem avançado Mbappé, de apenas 19 anos, o mais novo ainda em prova.

Lionel Messi foi tema incontornável na conferência de imprensa de ontem do selecionador francês Didier Deschamps. "Messi é Messi. Podemos tentar anulá-lo, mas sabemos que quase do nada pode fazer a diferença. Temos de tentar limitar a sua influência na equipa. É um prodígio e temos de tomar cautelas", referiu.

Outro assunto abordado pelo técnico que como jogador se sagrou campeão do Mundo em 1998 foi o temperamento dos jogadores argentinos: "Poucos jogadores meus entendem espanhol, isso é um factor a nosso favor devido ao temperamento dos jogadores argentinos e ao apoio que vão ter das bancadas. São futebolistas lutadores e guerreiros. Mas acredito que não vão existir casos dentro do campo."

Se a França tem um plano para tentar neutralizar Messi, a Argentina tem outro para o "potenciar", garantiu ontem o selecionador Jorge Sampaoli, por entre muitos elogios ao número 10. "Tem uma genialidade tão grande e lê tão bem o jogo que por vezes é difícil estarmos à altura dele. É como um farol", referiu, não desmentindo que no jogo diante da Nigéria lhe pediu conselhos sobre se deveria colocar Kun Agüero em campo.

Sampaoli, que tem sido muito contestado pelas opções que tem tomado a nível tático e de escolha de jogadores, pediu aos seus críticos para esperarem pelo final do jogo com a França. "Serei muito bom ou muito mau consoante o que se passar. Serei um grande treinador se passarmos e muito mau se perdermos", atirou, garantindo que "a Argentina vai jogar com a faca entre os dentes" esta tarde diante da França. "Estamos muito confiantes até pela preparação que fizemos para este jogo. Amanhã [hoje] seremos uma fortaleza anímica e isso vai permitir-nos encarar a França de forma decidida e com muito coração."

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