Évora de bronze sonha dar mais alegrias e um salto de 18 metros

Português saltou 17.40 metros, bateu o próprio recorde nacional e ficou a três centímetros do ouro e um da prata. Agora quer décima medalha da carreira nos Europeus de Berlim.

Nelson Évora era a grande esperança portuguesa na obtenção de uma medalha nos Mundiais e não desiludiu. Hoje, às 14.45, quando voltar a subir à Arena Birmingham, será para receber o bronze, conquistado ontem nos Mundiais de Atletismo de Pista Coberta, a nona medalha em grandes competições do atleta de 33 anos (faz 34 em abril).

Évora saltou 17.40 metros e ficou a três centímetros do ouro do norte-americano Will Claye (17.43) e a um da prata do brasileiro Almir dos Santos (17.41). Uma distância que o deixou com "a sensação de que poderia ter feito melhor". "Foi uma competição boa, não me posso queixar. Todos estiveram no seu melhor, foram três centímetros que separaram o ouro do bronze. Por um centímetro se ganha, por um centímetro se perde. Não estou totalmente satisfeito, mas há que aceitar, é assim mesmo o desporto", disse o atleta do Sporting à agência Lusa no final da prova, prometendo "dar mais alegrias aos portugueses".

Em Birminghan, Évora apresentou-se em boa forma e com marcas ao nível dos seus saltos de 2008, quando foi campeão olímpico, e à terceira tentativa alcançou a marca de 17,40 metros, batendo o recorde nacional em pista coberta (17,33) que ele próprio tinha estabelecido a 10 de fevereiro de 2008, há 10 anos, em Karlsruhe. Agora, depois de receber a medalha, o atleta do Sporting promete "olhar para a frente" para, no verão, "aparecer mais forte" e "poder responder a este tipo de saltos várias vezes e de forma consistente".

"[O treinador Ivan Pedroso] Ficou satisfeito, mas não ficou 100% satisfeito, como eu. Ele sabe e nós sabemos o que eu podia ter feito aqui hoje", disse o atleta português já de olho nos Campeonatos Europeus de Atletismo em Berlim: "Nunca foi um segredo, eu quero o meu salto dos 18 metros e é isso que eu ambiciono. Mas antes disso tenho de ser capaz de responder a estes saltos, consolidar saltos acima dos 17,60 ou 17,70 [metros]. E aí, sim, vou estar preparado para ir para a frente."

Lesões, regressos e medalhas

Com uma resiliência impressionante, que o levou a recuperar de pelo menos duas lesões muito graves (uma das quais uma fratura da tíbia) e algumas cirurgias, o atleta do Sporting começou o ano em excelente forma ao fazer 17.30, no meeting de atletismo de Madrid, mantendo intactas as expectativas na conquista de uma medalha em Birmingham. O que acabou por acontecer, 10 anos depois de ter feito o mesmo (bronze) em Valência, naquele que era o seu único pódio em Mundiais indoor até ontem.

Foi depois da frustração dos resultados nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 que Évora mudou radicalmente. Trocou o Benfica pelo Sporting e abandonou o treinador de sempre, João Ganço, para se mudar para Madrid e ser treinado pelo cubano Ivan Pedroso, recordista mundial do comprimento.

Muitos duvidaram que depois dos 30 anos voltaria ao melhor nível, mas ele respondeu "com resultados". Desde então, Nelson já tinha sido campeão europeu de pista coberta (17,20 metros) e agora bronze nos Mundiais.

Campeão olímpico em 2008 (Pequim), o saltador conseguiu dois bronzes nos Mundiais e dois ouros nos Europeus de pista coberta, em 2015 e 2017 (ver tabela). Ao palmarés do atleta português, juntam-se ainda os títulos de Campeão Mundial Universitário em 2009 e 2011, os títulos de Campeão da Europa de Juniores de Triplo Salto e Salto em Comprimento em 2003 e o Bronze no Triplo Salto no Europeu de Sub-23 em 2005.

Regularidade de início ao fim

Évora chegou a Inglaterra com 17.30 metros e avisou ao que ia logo no primeiro salto (17.14), mas o azeri Copello saltou 17.17 e assumiu a liderança. Depois o brasileiro Almir dos Santos, que tinha a melhor marca do ano (17.37), subiu ao primeiro posto com 17.22. O português tentou recuperar a liderança da prova e arriscou, mas o salto acabou por ser nulo.

O melhor estava guardado para a frente da competição, com 17,40 metros, batendo por sete centímetros o seu antigo recorde nacional. Um salto fantástico do português, que viu depois o americano Will Claye (segundo classificado nos dois últimos Jogos Olímpicos de 2012 e 2016 ) a reagir com a melhor marca do ano, 17.43, ficando três centímetros à frente do português, que iria depois perder a prata para o brasileiro, que saltou 17,41.

E numa altura em que o atleta do Sporting já tinha, pelo menos, a medalha de bronze assegurada, fez 16.71 metros. Évora ficou a um centímetro da prata e a três do ouro, acabando por repetir o bronze conquistado há 10 anos, em Valência.

Medalheiro Nelson Évora

2018 Mundias de pista coberta Bronze

2017 Campeonato do Mundo Bronze

2017 Europeus de pista coberta Ouro

2015 Campeonato do Mundo Bronze

2015 Europeus de pista coberta Ouro

2009 Campeonato do Mundo Prata

2008 Jogos Olímpicos Ouro

2008 Mundiais de pista coberta Bronze

2007 Campeonato do Mundo Ouro

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