Ensaio no último lance dá 20.º título nacional ao CDUL

Numa vitória arrancada a ferros, pois a reviravolta no resultado só surgiu mesmo no derradeiro lance de jogo através de Jorge Abecassis, o CDUL bateu esta tarde, no Jamor, Agronomia, por 25-21, reconquistando, três anos depois, o título nacional, que é o 20.º do seu historial

Pela décima vez nas últimas 12 épocas - desde que a Divisão de Honra é concluída com uma final - a equipa que venceu a fase regular acaba por não conseguir sagrar-se campeã nacional. Desta feita a 'fava' saiu a Agronomia, que depois de uma temporada de grande nível (há que acrescentar o triunfo obtido na Supertaça em outubro e o apuramento para a final da Taça de Portugal que terá lugar daqui a duas semanas, em Setúbal) acabou por cair frente a um CDUL a quem até vencia por 16-5 ao intervalo.

Quanto aos universitários, que alargam assim a sua superioridade em termos de títulos nacionais - são agora 20 quando o rival mais próximo, Direito, conta com apenas 11 - esta final foi o espelho exato da época que tiveram, na estreia do australiano Jack Farrer como seu responsável máximo: irregular (a equipa sofreu 6 derrotas na fase inicial!), com altos e baixos, denotando fragilidades e debilidades, mas mostrando muito coração e uma crença que, em tempos de vacas magras, conseguem alguns verdadeiros milagres. Como o desta tarde.

A final, sem transmissão televisiva pois foi incrivelmente marcada para a mesma hora da final da Taça dos Campeões Europeus, só o mais importante jogo de râguebi da temporada europeia (!) - até neste particular se percebe como a modalidade vai sendo gerida neste cantinho... - foi uma partida intensa, bem jogada, recheada de reviravoltas no resultado e começou logo com grande ritmo.

Ainda estavam muitos espetadores a acomodar-se nas bancadas quando aos 2', duas fabulosas trocas de pés do ponta António Cortes, a meter para dentro e a descobrir o asa Van Zyl, permitiram ao sul-africano arrancar 30 metros para o ensaio inaugural (7-0).

Com o exclusivo domínio da bola, a equipa de Frederico Sousa dominava por completo a partida e aos 8' o abertura José Rodrigues (que falhara dois minutos antes uma primeira tentativa aos postes) alargava, numa penalidade, para 10-0.

Mesmo dominado nas mêlées - e os alinhamentos também não estiveram muito melhores... -, o CDUL começou por fim a reagir. A equipa esticou o seu jogo e depois de um último passe adiantado ter inviabilizado um ensaio cantado a Gonçalo Foro, aos 17' Jorge Abecassis concluía à ponta um excelente lance iniciado numa boa iniciativa do centro Frederico Oliveira (10-5).

Até ao intervalo a defesa agrónoma seria obrigada a mostrar toda a sua determinação perante um intenso período de domínio universitário mesmo em cima da sua linha de ensaio, e depois de salvar várias ocasiões de ensaio adversário, acabaria por ver o seu excelente chutador José Rodrigues converter mais duas penalidades para uns se calhar demasiado penalizadores 16-5 no descanso.

No regresso das duas formações logo se percebeu que o CDUL - que até parecia ter vários dos seus jogadores bem mais fatigados na 1.ª parte - vinha com outra (e bem melhor!) disposição. E atirando-se à defesa agrónoma como se não houvesse amanhã seria recompensada aos 48' quando o formação Francisco Pinto de Magalhães escapou pelas franjas de um 'ruck' (tal como fizera na meia-final em Monsanto, há uma semana) reduzindo para 16-12.

E mantendo o pé no acelerador frente a agrónomos sem capacidade de reação, nove minutos consumava-se a cambalhota no marcador com Jorge Abecassis - exibição corajosa a defender, elétrica a atacar, e um total de 20 pontos, incluindo dois ensaios, dão o título de 'o melhor em campo' ao jovem que no ano passado passou seis meses a jogar, e a crescer, na cidade neozelandesa de Christchurch, terra dos famosos Crusaders... - a converter duas penalidades, para fazer os 18-16 (a última valeu amarelo ao centro fijiano Meli).

Mas a reação do quinze da Tapada, com menos um homem, foi imediata e em grande estilo, com Gustavo Duarte a concluir um impressionante maul dinâmico em estilo TGV e a levar tudo o que vestisse de azul à frente, para nova superioridade agrónoma (21-18).

Os derradeiros 15 minutos desta bela e emotiva final seriam de tal modo intensos que poucos adeptos se conseguiam manter sentados. E, curiosamente, tudo corria mal para os lados do CDUL: Abecassis falhava a sua primeira penalidade, o excelente 2.ª linha McSulea via amarelo por falta grosseira, em cima dos 80' uma fabulosa arrancada de Tomás Appleton acabava com o centro internacional português a bater no poste, mas sem conseguir fazer o toque com a ovale e logo a seguir seria Frederico Oliveira a 'congelar' numa situação favorável de 2-para-1. E apesar de Agronomia estar encostada às cordas, à espera do KO definitivo, os adeptos universitários viam, lance após lance, a sua equipa desperdiçar ocasiões de ouro... e que dariam para ganhar uns três jogos.

Até que aos 83' e na denominada 'bola de jogo', numa sequência de fases bem montadas a oval chegou ao veterano Gonçalo Foro que, apertado, transmitiu ao bem jovem e levezinho Jorge Abecassis. O ágil defesa escapou à meiguinha tentativa de placagem de António Cortes (foi aos ombros...) e voou até ao ensaio que dava o 20.º título da história ao mais galardoado clube do râguebi português.

Final dramático, ao estilo de Hitchcock, mas que acabou por premiar a equipa que ao longo dos 80 minutos, mesmo enfrentando algumas adversidades, mais e melhor porfiou e, acreditando que poderia construir um final harmonioso numa história que tão mal começara, arregaçou as mangas e foi procurar a felicidade que acabou por merecer.

As anteriores Finais
2016 Direito-CDUL 11-6
2015 Direito-CDUL 26-19
2014 CDUL-Direito 19-15
2013 Direito-CDUL 17-9
2012 CDUL-Agronomia 24-15
2011 Direito-Belenenses 9-3
2010 Direito-Agronomia 22-12
2009 Direito-Agronomia 32-25
2008 Belenenses-Agronomia 22-21
2007 Agronomia-Direito 15-8
2006 Direito-Belenenses 22-6

Campeões Nacionais (59 edições)
CDUL, 20 títulos; Direito, 11; Benfica 9; Cascais e Belenenses, 6; Académica, 4; Técnico, 2; Agronomia, 1.

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