Eagles, com 'quarterback' suplente Foles, batem Patriots e um enorme Brady

Tinham perdido o Superbowl em 1981 e 2005, na última vez com os Patriots.

Os Philadelphia Eagles, liderados pelo quarterback suplente Nick Foles, tornaram-se no domingo a 20.ª equipa a conquistar o Super Bowl, ao baterem os detentores do título New England Patriots e um 'enorme' Tom Brady por 41-33.

No US Bank Stadium, em Minneapolis, o 52.º Super Bowl foi um festival de ataque, mas decidiu-se numa ação defensiva, o roubo de bola de Brandon Graham a Brady e posterior recuperação de Derek Barnett, a 2.09 minutos do fim.

Os Eagles recuperaram a posse de bola e, depois, ficaram oito pontos à maior com um pontapé de 46 jardas do 'rookie' Jake Elliott, deixando apenas 1.05 minutos no relógio, com Brady a não conseguir, desta vez, o 'milagre'.

Nick Foles, que completou 28 de 43 passes, para um total de 373 jardas, com três passes para 'touchdown', mais um que ele próprio conseguiu, contra apenas uma interceção, que nem foi da sua responsabilidade, foi a grande figura do encontro, sendo naturalmente coroado o Jogador Mais Valioso (MVP).

Chamado ao comando da equipa face à lesão de Carson Wentz, Foles manteve-se sempre calmo, não 'tremendo' nem sequer quando, após recuperarem 12 pontos, os Patriots passaram para o comando do marcador (33-32, a 9.22 minutos do fim).

Do outro lado, Tom Brady, de 40 anos, bateu o recorde de jardas em passe, com um total de 505, completando 28 de 48 passes, incluindo três para 'touchdown', mas, ainda assim, a sua atuação não foi suficiente para os Patriots revalidarem o título e igualarem os seis cetros dos Pittsburgh Steelers.

Os Patriots ganharam a 'moeda ao ar' e deram a bola aos Eagles, que foram avançando no terreno e adiantaram-se (3-0) com um pontapé de Jake Elliott. Na resposta, Stephen Gostkowski também não falhou o pontapé, igualando o encontro.

O segundo ataque dos Eagles deu 'touchdown', após um grande passe de 34 jardas de Foles para Alshon Jeffery (9-3). Elliott não conseguiu transformar, mas, do outro lado, Gostkowski ainda fez pior, perdendo três pontos com um remate que acertou no poste direito, já a abrir o segundo período.

Depois de um 'touchdown' em passe, os Eagles lograram um em corrida, pelo ex-Patriots LeGarrett Blount, conseguindo, a 8.48 minutos do intervalo, a maior vantagem em todo o jogo (15-3). Depois, falharam a conversão de dois pontos.

A formação de New England, que em 2017 tinha arrebatado o Super Bowl depois de uma desvantagem de 25 pontos, reagiu e colocou-se a três pontos (15-12), primeiro com um pontapé de Gostkowski e depois com um 'touchdown' em corrida de James White. Mais uma vez, o Gostkowski falhou a conversão.

A aproximação não 'assustou' Foles, que continuou muito calmo, tanto que, numa quarta tentativa, foi ele a converter um 'touchdown', após um passe de Trey Burton, servido por Corey Clement. Elliott selou o 22-12 do intervalo.

Com uma desvantagem de 10 pontos, Tom Brady veio com outra disposição para a segunda parte, conduzindo o 'gigante' Rob Gronkowski ao 'touchdown', depois de um ataque em que fez quase sempre dele o seu alvo para passar a bola.

Gostkowski encurtou o resultado para 22-19, mas, novamente, a resposta de Foles foi notável e só 'parou' em mais um passe para 'touchdown', desta vez de 22 jardas, para Corey Clement. Elliott recolocou a vantagem em 10 pontos.

Ao contrário da primeira parte, os Patriots mostravam agora uma grande facilidade em atacar e conquistar jardas, acabando por reduzir para 29-26, no final do terceiro período, com um 'touchdown' de Chris Hogan, após passe de 26 jardas de Brady, e a respetiva conversão de Gostkowski.

Os Eagles ainda tiveram a última 'palavra' no terceiro parcial, mas não converteram pontos e, a abrir o quarto e último, Brady não perdeu a oportunidade e, após um ataque consistente, ofereceu o segundo 'touchdown' a Gronkowski.

A transformação de Gostkowski deu a primeira liderança aos Patriots, só que a resposta dos Eagles foi categórica, com Foles a encontrar Zach Ertz para novo 'touchdown'. A vencer por 38-32, os Eagles tentaram mais dois pontos e falharam.

Brady tinha 2.21 minutos para percorrer o campo e conseguir o 'touchdown' que seria da vitória, mas, logo na segunda jogada, Brandon Graham consegui roubar-lhe a bola, que Derek Barnett recuperou, num 'turnover' que decidiu o jogo.

Com a bola perto dos postes adversários, os Eagles jogaram pelo seguro e acabaram por conseguir mais três pontos, aumentando a vantagem para 41-33, com um pontapé de 46 jardas de Jake Elliott.

Brady ficou com 58 segundos para conseguir um 'milagre' (era preciso um 'touchdown', seguido de uma conversão de dois pontos, para forçar o prolongamento), mas, desta vez, não foi possível e começou a festa dos Eagles, que tinham perdido o Superbowl em 1981 e 2005, na última vez com os Patriots.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.