Deco estreou-se pela seleção e logo com um golo ao Brasil

Apesar das reticências de Figo e Rui Costa, Deco estreou-se pela seleção nacional a 29 de março de 2003, com um golo frente ao país de origem no estádio onde ia brilhando com as cores do FC Porto.

75 internacionalizações, cinco golos e quatro fases finais (Euros 2004 e 2008 e Mundiais 2006 e 2010). É este o balanço do percurso de Deco na seleção nacional, pela qual foi quase sempre titular indiscutível entre 2003 e 2010.

Porém, o processo de naturalização do médio natural de São Bernardo do Campo, no estado brasileiro de São Paulo, e a consequente chegada do jogador à equipa das quinas, esteve envolto em polémica. Dois nomes com grande peso no balneário luso, Luís Figo e Rui Costa, mostraram-se desde logo contra a presença de jogadores naturalizados nas seleções nacionais.

"Passei por todas as seleções jovens e sei o que me custou chegar à seleção principal. São opções que desvirtuam o espírito da seleção e não estou de acordo", referiu o então extremo do Real Madrid. Já o n.º 10 do AC Milan na altura disse que não tinha nada contra Deco - pelo contrário, pois chegava a ver jogos do FC Porto só para o ver jogar -, mas que não era "a favor de que as seleções - todas, e não só Portugal - naturalizem jogadores, pois por alguma coisa se chama seleção nacional".

Deco defendeu-se. "Penso que eles assumiram uma opção pessoal sobre determinado assunto, falando em termos gerais. Da forma como interpretei as declarações, penso que não foi nada especificamente contra mim, a imprensa é que terá interpretado as coisas nesse sentido", afirmou na altura, esclarecendo que a ideia do processo de naturalização partiu dele. "Não foi a federação que me pediu, foi uma decisão minha, pelo tempo em que estou a viver neste país. É uma opção natural, e minha. A federação só emitiu um parecer."

Apesar da polémica, o médio que representava o FC Porto desde cedo começou a mostrar serviço. Convocado por Luiz Felipe Scolari para os jogos particulares com Brasil e Macedónia, quis o destino que a estreia do médio fosse diante do país de origem, em pleno Estádio das Antas, a 29 de março de 2003, ou seja, há 15 anos.

"Vai ser um sentimento diferente jogar contra o país onde nasci. Não deixei de ser brasileiro por me naturalizar português, mas Portugal diz-me muito. Só eu sei o que Portugal representa para mim. O apoio que tenho recebido das pessoas em geral, desde que se colocou esta situação, deixa-me mais tranquilo. A verdade é que me sinto tão português como brasileiro", confessou Deco, dias antes da estreia com a camisola de Portugal.

Golo de livre e abraço de Rui Costa

Numa noite de chuva, que também ficou marcada pela estreia de outro jogador que se viria a revelar fundamental nos anos seguintes da seleção, Maniche, Deco saltou do banco ao minuto 62, para render Sérgio Conceição, numa fase em que Portugal vencia o Brasil por 1-0, com golo de Pauleta (8").

Três minutos depois da entrada do luso-brasileiro - que coincidiu em campo com Rui Costa -, Ronaldinho Gaúcho empatou a partida na transformação de uma grande penalidade. Contudo, o homem que já estava no centro das atenções ainda foi a tempo de reforçar o protagonismo.

Aos 80", Deco sofreu uma falta de Rivaldo perto da área canarinha. Os brasileiros protestavam a inexistência da infração, com Roberto Carlos a receber ordem de expulsão após um encontrão no árbitro israelita Alon Yefet. Mas a verdade é que o livre foi mesmo assinalado, Deco encarregou-se da marcação e... apontou um golo de belo efeito, batendo o guarda-redes Marcos.

O mágico, como ficou conhecido em Portugal, justificou a alcunha. Além do golo, mostrou bons apontamentos e, no final, mereceu o abraço de Rui Costa. O triunfo, por 2-1 sobre uma seleção que menos de um ano antes tinha conquistado o quinto título mundial (com Scolari ao leme), foi o primeiro da seleção nacional na era Scolari, que teve precisamente no n.º 20 um dos seus esteios.

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