De Schippers a Barshim: dez figuras em foco em Birmingham

Novo recordista mundial de 60 metros e next big thing do meio-fundo etíope entre os candidatos a brilhar nos Mundiais indoor

Entre os 632 atletas, de 144 países, inscritos nos Mundiais de atletismo em pista coberta, há de tudo: desde um velocista de Tuvalu (Karalo Hepoiteloto Maibuca) até uma fundista de Madagáscar (Eliane Saholinirina). Mas esses não serão os principais candidatos a brilhar, a partir de hoje, em Birmingham: o foco está em figuras como Dafne Schippers ou Mutaz Essa Barshim. Da velocista holandesa ao saltador qatari, pode alvitrar-se uma lista de dez candidatos a protagonistas de Birmingham 2018.

Distante do relevo dos Mundiais de ar livre e órfão de muitas vedetas, o evento indoor junta - ainda assim - um vasto leque de estrelas. Nas disciplinas de velocidade, destacam-se sprinters como Chris Coleman, Phyllis Francis ou Dafne Schippers. O velocista dos EUA (vice-campeão mundial de 100 m) chega a Inglaterra como novo recordista mundial indoor de 60 metros (6,34, quebrando um registo com 20 anos) e é o favorito na distância mais curta. Do lado feminino, os holofotes incidem na holandesa Schippers, vice-campeã olímpica de 200 m e dupla medalhada nos Mundiais de ar livre do ano passado - que terá a dura oposição da americana Javianne Oliver e da costa-marfinense Marie-Josée Ta Lou. Por seu lado, Phyllis Francis, também dos EUA, é forte candidata a repetir o duplo ouro (400 m e estafeta 4x400 m) dos Mundiais de ar livre do ano passado.

Nas provas de média/longa distância, o favoritismo etíope é personificado por gente como Genzebe Dibaba e Selemon Barega. Ela, campeã mundial indoor de 1500 m em 2012 e de 3000 m em 2014 e 2016, vai correr pelo título em ambas as provas - com a dura concorrência das compatriotas Seyaum e Tsegay, da queniana Obiri e da holandesa Hassan. Já Barega, visto como a next big thing do meio--fundo africano, parte com a melhor marca do ano em 3000 m (7.36,64, feita da primeira vez que correu indoor): se confirmar o estatuto, será - aos 18 anos e 43 dias - o mais jovem campeão mundial de pista coberta de sempre.

Nas provas combinadas, também à procura de confirmar o estatuto, está o francês Kevin Mayer. Sucessor do lendário Ashton Eaton (que ganhou tudo de 2012 a 2016), o gaulês ganhou o primeiro ouro de decatlo após a retirada do americano - Mundiais de ar livre de 2017. Agora, tenta confirmar o rótulo de "atleta mais completo", na versão indoor (heptatlo).

Por fim, nos saltos/lançamentos, o palco deverá ser, principalmente, da americana Brittney Reese, da grega Katerina Stefanidi, da russa Mariya Lasitskene e do qatari Mutaz Essa Barshim. Reese defende a hegemonia de multicampeã mundial indoor (três vezes) e de ar livre (quatro vezes), no comprimento - só interrompida no Rio 2016 (prata, após o ouro de Londres 2012). Stefanidi parte com um estatuto similar: ganhou tudo na vara nos últimos dois anos.

Lasitskene, bicampeã de ar livre no salto em altura, é a principal do grupo de oito atletas que competem sob bandeira "neutra", devido à suspensão da Rússia. E Mutaz Essa Barshim, campeão de ar livre na mesma disciplina, chega a Birmingham depois de ter sido eleito pela IAAF o atleta masculino do ano de 2017. São eles que prometem animar a competição, que tem transmissão televisiva na RTP2.

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