Cristiano diz que está preparado para a crítica, que é "cada vez pior"

O futebolista português Cristiano Ronaldo disse na terça-feira que está preparado para encarar a crítica, que é "cada vez pior", deixando para o presidente do Real Madrid as perguntas sobre uma possível renovação.

"Parece que tenho de demonstrar jogo a jogo o que sou. Surpreende-me a opinião pública sobre mim. Uma vez mais os números falam por si próprios. Estou muito contente por fazer o meu encontro 400 [pelo Real Madrid] e por fazer não sei quantos golos [...] Muito feliz porque sabia que estou bem, quando tenho oportunidades marco, às vezes os guarda-redes ou os paus param, faz parte do futebol", disse.

No final do encontro com o Borussia Dortmund (3-1), da Liga dos Campeões, no qual bisou, Ronaldo garantiu que o seu trabalho é o mesmo e que nunca entra em desespero.

"Tenho a mente limpa e preparada para a crítica, que é cada vez pior. Mas se é por algo que sou quem sou, é pelo trabalho e pelos meus companheiros. Estou muito feliz", assegurou.

Sobre uma possível renovação com o Real Madrid, Cristiano Ronaldo passou a bola para Florentino Pérez, líder dos 'merengues'.

"Estou contente, as coisas acontecem de uma forma natural. Estou contente pelos meus companheiros que renovaram, porque estavam em final de contrato. É uma pergunta à qual o presidente saberá responder melhor do que eu, mas estou contente, faço o que mais gosto, fiz golos e estou feliz", afirmou.

Durante o defeso foi noticiada a vontade de Ronaldo deixar o Real Madrid, mas o português recordou que nunca disse que desejava deixar os 'blancos'.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.