CR7 respondeu no fim e por duas vezes ao golo de Salah

Dois golos de cabeça nos descontos, a centros de Quaresma, transformaram uma derrota numa vitória não especialmente merecida

Dois golos de cabeça de Cristiano Ronaldo já nos descontos, ambos a cruzamento de Ricardo Quaresma (o segundo num livre e após recurso ao videoárbitro), deram a Portugal a vitória sobre o Egito num jogo de preparação para o Mundial, em Zurique. Salah tinha posto os egípcios na frente pouco após o intervalo, mas nos 92.º e 94.º minutos o homem do Real Madrid virou o resultado. Se era um jogo entre os dois goleadores europeus, CR7 respondeu no fim, em dobro, ao golo do faraó do Liverpool. Uma vitória não especialmente merecida porque Portugal jogou pouco - e o pouco que jogou foi na primeira parte. Na segunda já era só com motas (Quaresma, Ronaldo, Gonçalo Guedes e Gelson) e sem ligação que a equipa aparecia lá à frente. Mas ganhou porque tem um goleador capaz de resolver em qualquer circunstância (CR7 chegou aos 81 golos pela seleção).

Um típico jogo amigável em ritmo sempre baixo, pois este é um tempo dos clubes, quando os campeonatos começam a decidir-se, e não tanto das seleções, como é evidente. Perante 20 mil espectadores - muitos egípcios - no velho Letzigrund, viu-se um jogo com pouca competição e alguma diversão.

Com muitas baixas importantes, nomeadamente os dois trincos (William e Danilo), jogou Rúben Neves, seguramente, no futuro, jogador para esta equipa, mas ainda sem a dimensão necessária neste momento. Aquela posição é de impulso também para a frente e isso houve pouco. A equipa joga sempre muito junta, expõe-se pouco, elabora muito o jogo, mas na primeira parte faltou sempre gente pelo meio, o jogo interior, como disse no fim Fernando Santos, foi pobre porque Bernardo Silva e João Mário estavam muito agarrados às linhas e não apareciam a construir pelo meio. Rolando ainda marcou perto do fim da primeira parte, mas o VAR anulou por fora de jogo. E bem. Antes, um livre indireto na área, toque de Moutinho, tiro de CR7 e Said a tirar em cima da linha.

O Egito é hoje uma das melhores seleções africanas, estará no Mundial e não é só por causa de Mo Salah. El-Neny (Arsenal), Hegazy, o central do WBA de Inglaterra, são bons, como Hassan (Sp. Braga), já com muito tempo de Europa. Dirigida pelo argentino Hector Cúper, deve ter levado ontem a lição necessária - o jogo só acaba no último apito do árbitro.

Fernando Santos diz que o jogo não era para testes, mas alguma coisa sempre se testa. Por exemplo, ver como Bruno Alves, agora nas terras altas escocesas, se saía perante Hassan e sobretudo Mo Salah, o supersónico avançado do Liverpool. E não se saiu nada mal o antigo jogador do FC Porto até ao intervalo, sobretudo pela sua experiência. Mas depois Salah marcou, num remate de grande execução, e deixou Bruno Alves um pouco desmoralizado. E o golo até foi mais nas zonas de Rolando e Rúben Neves. De resto, Rolando, de regresso ao fim de quatro anos, nem esteve mal. Raphaël Guerreiro também fez um bom primeiro tempo.

Com as substituições, a equipa portuguesa ficou desligada, mas com qualidade individual e a ligação Quaresma-Ronaldo, que acabou por pagar no fim. Um e outro entendem-se de olhos fechados e Fernando Santos, ao contrário de outros treinadores, percebeu isso bem cedo; por isso Quaresma está sempre feliz na equipa nacional.

O campeão europeu não queria perder, teve essa reação final e Cristiano apareceu finalmente a ludibriar os defesas, dando seguimento aos cruzamentos a régua e esquadro. Essa é uma sociedade que vamos rever no Mundial com gosto. E esperança

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