Corrupção na II Liga. Detidos vão ser hoje presentes a juiz

Jogadores do Oriental e da Oliveirense, presidente e diretor do Leixões, quatro empresários e um vice dos Super Dragões envolvidos

Os 15 detidos da Operação Jogo Duplo, suspeitos de viciação de resultados, aliciamento de jogadores e apostas ilegais, serão hoje presentes ao juiz Carlos Alexandre. Oito jogadores (quatro do Oriental e quatro da Oliveirense), mais o presidente e um diretor do Leixões e ainda quatro empresários e um elemento da claque Super Dragões foram levados pela PJ para interrogatório, depois dos jogos de sábado a contar para a última jornada da II Liga.

João Pedro, André Almeida, Rafael Veloso e Diego Tavares, os jogadores do Oriental, e ainda Hélder Godinho, Luís Martins, Ansumané e Pedro Oliveira, da Oliveirense, pelo que foi dado a conhecer pelas imagens captadas por alguns media, foram levados pela PJ para interrogatório. Tal como terá acontecido com o presidente do Leixões, Carlos Oliveira, e o secretário técnico do clube, Nuno Silva. Hoje serão presentes a juiz para saberem as medidas de coação.

Em causa, segundo um comunicado da Procuradoria-Geral da República, "factos suscetíveis de integrar crimes de corrupção passiva e ativa na atividade desportiva, nele figurando como suspeitos dirigentes e jogadores de futebol, bem como outras pessoas com ligações ao negócio das apostas desportivas. Há fortes suspeitas de manipulação de resultados de jogos da II Liga de Futebol com recurso ao aliciamento de jogadores".

Alguns são suspeitos de alegadamente terem oferecido luvas a determinados atletas para, através de falhanços, prejudicarem as suas equipas e assim poderem fabricar os resultados mais improváveis. O suposto esquema permitiria a apostadores asiáticos, por dentro do assunto, saberem antecipadamente em que jogos teriam lucros garantidos e apostas certas.

Os atletas terão sido apanhados a vender jogos e a gozar com as derrotas da equipa, não sabendo que estavam a ser escutados há cerca de dois meses, altura em que as autoridades deram seguimento a uma denúncia da Federação Portuguesa de Futebol, depois de o sistema de monitorização dos jogos da FPF ter emitido alertas em alguns encontros da II Liga. Processo seguirá para as instâncias desportivas e pode dar origem a alterações na classificação.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?