Como a alimentação e o sono ajudaram Hamilton a entrar para a elite

Britânico optou por tornar-se vegetariano e aprendeu a lidar com os efeitos do jet lag. Resultado: venceu o quarto mundial

Costuma dizer-se que quando se ganha tudo está bem e todas as rotinas devem ser glorificadas. Lewis Hamilton conquistou no último domingo, no Grande Prémio do México, o seu quarto mundial de Fórmula 1 entrando num lote restrito com quatro ou mais mundiais dos quais constam também Michael Schumacher (sete), Juan Manuel Fangio (cinco), Alain Prost e Sebastian Vettel (quatro).

Fica-se agora a saber que muita coisa mudou na vida de Lewis Hamilton de há dois anos a esta parte, em especial nos últimos 12 meses.

Em 2015, o britânico deixou de comer carne vermelha, em 2016 afastou o frango e num último passo privou-se de pratos de peixe. Lewis Hamilton justifica a sua decisão, em três etapas, com "os muitos documentários" que o fizeram pensar. "Eu amo os animais", realçou recentemente para explicar a sua mais repulsa em ingerir animais mortos.

No que diz respeito às carnes vermelhas, Lewis Hamilton destaca o seu receio em contrair determinadas doenças: "Não quero ficar diabético. Não quero ter um ataque cardíaco como já aconteceu na minha família. Não quero ter cancro, o que também já sucedeu com familiares meus. Se alguém quer viver a arriscar a saúde, é uma escolha que lhe assiste. Eu não quero. Prefiro mudar algo nas minhas rotinas antes de ficar doente. Espero estar a seguir um rumo certo, talvez com o meu exemplo possa persuadir mais pessoas a seguir as minhas escolhas."

Neste momento, Lewis Hamilton é um vegetariano convicto. "Não sinto que o meu corpo tenha perdido alguma coisa. Conheci muitas pessoas que se tornaram vegetarianas e que se sentem agora com um coração mais saudável. E dizem-me: "Foi a melhor decisão que tomei." E a verdade é que eu os vejo magros, fortes e repletos de energia positiva", referiu.

Mas outra coisa mudou na vida de Lewis Hamilton. Com as constantes viagens intercontinentais, entre grandes prémios e compromissos publicitários, o jet lag costuma fazer estragos. O britânico, há um ano, despediu o seu preparador físico e contratou Angela Cullen, que oficialmente é fisioterapeuta mas na verdade é muito mais do que isso. Esta profissional tem uma especialização em otimizar o rendimento físico e mental dos desportistas de elite com a chancela da Hintsa, empresa finlandesa dedicada ao bem-estar.

Ao trabalhar com Angela Cullen, Lewis Hamilton conseguiu reduzir os danos do jet lag. E como? Através de um programa desenvolvido pela NASA no qual se tem de respeitar inteiramente as horas de sono com a ajuda da melatonina e de óculos de sol que adaptam a visão à luz de modo que o cérebro fique convicto de que é de manhã, tarde ou noite, mesmo que não o seja.

Mal ou bem, a verdade é que estas mudanças coincidiram com um ano perfeitamente fantástico do britânico. Não só bateu o recorde de pole positions - já leva 72 - como reconquistou o título mundial que há um ano tinha perdido, com alguma emoção à mistura, para Nico Rosberg, seu antigo colega na Mercedes.

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