Chung e Sandgren marcam o duelo mais inesperado

Sul-coreano e norte-americano são as grandes surpresas do primeiro major do ano. Um deles estará nas meias-finais

O sul-coreano Hyeon Chung começou a atrair a curiosidade no circuito ATP ainda muito novo (18 anos), em 2014, graças a uns óculos grossos pouco comuns nos courts (e um salto de 400 lugares no ranking). Já o norte-americano Tennys Sandgren passou quase despercebido dos radares mediáticos até começar a avançar rondas neste Open da Austrália. Os caminhos de um e de outro vão cruzar-se agora no mais inesperado duelo dos quartos-de--final no primeiro torneio do Grand Slam do ano, após terem acrescentado mais uma página às respetivas proezas em Melbourne.

Chung e Sandgren têm em comum o facto de serem protagonistas-surpresa neste Open da Austrália, mas as semelhanças entre ambos esgotam-se aí. No resto, o sul- -coreano, de 21 anos, e o norte--americano, de 26, têm histórias bem diversas para contar.

Hyeon Chung, 58.º do ranking mundial, que ontem eliminou o sérvio Novak Djokovic (seis vezes campeão na Austrália) em apenas três sets - 7-6 (4), 7-5, 7-6 (3)-, é o recente primeiro campeão das Next Gen Finals, torneio de fim de ano destinado aos melhores tenistas jovens do circuito. E um nome a quem se augura pelo menos um lugar no top 10 num futuro próximo.

Tennys Sandgren (97.º), que por sua vez derrotou o austríaco Dominic Thiem (atual 5.º do mundo), em cinco sets - 6-2, 4-6, 7-6 (4), 6-7 (9) e 6-3 -, era até aqui um quase perfeito desconhecido, perdido no anonimato da classe média do ranking ATP, cuja barreira do top 100 apenas rompeu pela primeira vez em setembro do ano passado, já aos 26 anos. Antes deste Open da Austrália, o norte-americano, nascido no Tennessee, nunca tinha passado sequer uma ronda de um torneio do Grand Slam. E no major australiano é mesmo a primeira vez que joga o quadro principal, depois de quatro anos seguidos a perder nas qualificações.

Desta vez, em Melbourne, Sandgren ganhou o palco desde cedo, quando se viu inesperadamente como o último representante masculino dos EUA, após a eliminação precoce de nomes como Jack Sock, Sam Querrey ou John Isner. E foi construindo o conto de fadas com vitórias sobre favoritos como Stan Wawrinka (segunda ronda) ou, agora, Dominic Thiem, conquistando o coração dos adeptos e os elogios de gente ilustre. "É ótimo para Tennys e para o ténis. Ele percorreu o caminho mais difícil e mostra que, se o esforço for contínuo, então poderás ter o teu dia", referiu o antigo número um mundial Mats Wilander.

A história de Sandgren viu-se relegada ontem para segundo plano com o triunfo de Chung sobre Djokovic. O coreano, que começou a jogar ténis em miúdo para combater a miopia, foi quase perfeito contra o ex-número um do mundo. "Não sei como fiz isto. Eu só tento imitar tudo o que ele já fez. Novak é o meu ídolo", comentou, em êxtase, o jovem Chung, que convenceu também algumas lendas da modalidade. Como John McEnroe: "Assistimos à explosão de uma nova estrela." Ou Jim Courier: "Nem acredito quão talentoso é este miúdo."

Chung e Sandgren têm duelo marcado para os quartos, amanhã, na primeira vez em que ambos chegam a uma fase tão adiantada de um major. Só um poderá continuar a prolongar o sonho em Melbourne.

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