Chloe Kim, a adolescente prodígio que cumpriu o sonho americano

Snowboarder, filha de coreanos, fez história ao ganhar o ouro de halfpipe: é uma das campeãs mais jovens de sempre

Um guionista de Hollywood não conseguiria escrever um final feliz melhor do que este, para a história de um casal coreano que emigra para os EUA em busca de uma vida melhor e vê a filha tornar-se um prodígio adolescente, destinado aos mais altos voos no snowboard. Ontem, Chloe Kim cumpriu o sonho americano: com toda a família nas bancadas (até a avó que nunca a tinha vista competir), sagrou-se, por fim, campeã olímpica de halfpipe, em PyeongChang 2018.

Chloe Kim deixou de ser the next big thing do snowboard e tornou-se uma certeza. Após ter sido impedida de competir nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, quando já estava qualificada e era uma das favoritas à conquista de medalhas (a Federação Mundial de Snowboard fixa os 15 anos como idade mínima), o fenómeno norte-americano pôde confirmar o que se esperava dela. E fê-lo com distinção, entrando, aos 17 anos e 296 dias, no 10.º lugar do top dos mais jovens campeões olímpicos de inverno em provas individuais (liderado pela compatriota Tara Lipinski, ouro de patinagem artística em 1998, com 15 anos e 255 dias).

Chloe foi a protagonista da jornada de ontem em PyeongChang, dois dias após o compatriota Redmond Gerard, também de 17 anos, ter conquistado o ouro olímpico noutra disciplina do snowboard (slopestyle). A americana venceu a final de halfpipe com 98,25 pontos - 8,50 de avanço sobre a chinesa Liu Jiayu (medalha de prata) -, depois de dar espetáculo com a manobra back--to-back 1080 degree: um rodopio tão exigente que, antes dela (2016), nenhuma mulher o tinha executado com sucesso em competições internacionais.

No entanto, o ouro já estava praticamente garantido desde a primeira ronda, quando a snowboarder conseguiu a pontuação de 93,75. E, como em qualquer feel-good movie de Hollywood, ninguém esperava outro desfecho para a atleta nascida em Long Beach, Califórnia (não muito longe da capital do cinema comercial norte-americano).

"Estou muito feliz, concretizei um sonho de criança. Significa muito para mim alcançá-lo no sítio de onde a minha família é natural", disse Chloe no final da prova. A apoiá-la estava a família Kim em peso - pais (emigrados para os EUA em 1982), irmãs, tia e cinco parentes sul-coreanos, incluindo a avó, de 75 anos, que nunca a tinha visto a fazer acrobacias em cima de uma prancha de snowboard.

As lágrimas caíam pela cara da mãe, Boran Yun Kim, enquanto o pai, Jong Jin Kim, recordava aos jornalistas a ascensão da filha a estrela dos desportos de inverno. Iniciada no snowboard aos 4 anos - quando o pai arrastou a família para um passeio, para experimentar a prancha que comprara numa loja online -, Chloe mostrou logo um talento invulgar para a modalidade. Quatro anos depois, Jong Jin largou o emprego de engenheiro para poder acompanhá-la a tempo inteiro - incluindo uma experiência de dois anos a treinar em Valais (Suíça). E a atleta não parou de evoluir.

Aos 15 anos, depois do primeiro brilharete com a manobra back-to--back 1080 degree, Chloe Kim alcançou uma rara pontuação perfeita (100). Fê-lo nos mesmos X Games [intitulados Jogos Olímpicos dos desportos radicais], onde foi batendo recordes de precocidade, desde a conquista da primeira medalha, em 2014. E, à conta desses resultados, aumentou a fama mundial.

Agora, Chloe já nem lamenta que lhe tenha sido vedada a participação em Sochi 2014: "Até fico feliz por não ter ido; era demasiado stress para uma miúda de 13 anos." E só assim foi possível que a sua primeira festa olímpica fosse no país natal dos pais, no mais perfeito happy ending para o seu sonho americano.

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