Camisola 'roja' para Dennis, vantagem para Froome

BMC venceu contrarrelógio por equipas, dando liderança a Rohan Dennis. Chris Froome ganhou segundos aos outros candidatos

Foi uma vitória preciosa, arrancada ao segundo, para uma equipa ferida. Dois dias depois de ficar órfã de Samuel Sánchez, que acusou doping e está suspenso, a BMC venceu ontem a 1.ª etapa da Volta à Espanha em bicicleta, um contrarrelógio por equipas, em Nîmes (Sudeste de França) - cidade abalada por um incidente policial, horas depois da tirada. A camisola vermelha, símbolo da liderança da prova, foi para o australiano Rohan Dennis. E o inglês Chris Froome (da Sky) já amealhou alguns segundos de vantagem em relação aos outros candidatos à vitória final.

Em 13,7 quilómetros, cumpriu--se o guião esperado, mas não da forma que os adeptos espanhóis desejavam. Mesmo sem um dos nomes queridos da afición - Samuel Sánchez acusou a hormona de crescimento GHRP-2 e foi impedido de participar na Vuelta que deveria marcar o seu adeus ao ciclismo, aos 39 anos -, a estado-unidense BMC confirmou o favoritismo próprio de uma vice-campeã mundial de contrarrelógio por equipas.

A BMC concluiu a etapa em 15.58 minutos, vencendo com seis segundos de avanço sobre a belga Quick--Step Floors e a alemã Sunweb. Rohan Dennis, que cortou a meta a comandar um grupo com Daniel Oss, Nicolas Roche, Alessandro de Marchi, Damiano Caruso e Tejay van Garderen, ficou com a camisola roja: para o australiano, de 27 anos, é a reedição das emoções da Volta à França de 2015, quando também venceu a 1.ª etapa (então um contrarrelógio individual) e conquistou a primeira maillot jeune da prova. "Correu tudo segundo o plano previsto. Executámo-lo na perfeição. Demos tudo para ganhar. Esta camisola é resultado do esforço de toda a equipa", sublinhou, no final da tirada.

Hoje, Dennis sai para a 2.ª etapa - 203,4 quilómetros, entre Nimes e Gruissan, ainda em França - na liderança da Vuelta. Se se confirmar o expectável final ao sprint, não haverá mexidas no topo de classificação. No entanto, já há diferenças claras entre os candidatos: ontem, a Sky - de Chris Froome, que procura juntar triunfos de Tour e Vuelta no mesmo ano - tratou de cavá-las.

A equipa britânica terminou o contrarrelógio em 4.º lugar, a nove segundos da BMC. Chris Froome, que chegou à meta com apenas quatro companheiros, ganhou oito segundos a Esteban Chaves e Simon Yates (Orica), 22 Vincenzo Nibali (Bahrain), 26 a Alberto Contador (Trek), 32 a Fabio Aru (Astana) e 37 Romain Bardet (AG2).

Quanto aos cinco portugueses em prova, quem esteve melhor foi Nelson Oliveira. O tricampeão nacional de contrarrelógio foi o primeiro homem da Movistar a cortar a meta, a 24 segundos da BMC: a equipa espanhola foi 8.ª e o luso segue em 40.º lugar da geral. Fora do top 100 estão Rui Costa, da UAE Emirates (113.º, a 47 segundos), Ricardo Vilela, da Manzana Postobon (116.º, a 53"), Rafael Reis, da Caja Rural (128.º, a 56"), e José Gonçalves, da Katusha-Alpecin (182.º, a 2:06 minutos). Gonçalves foi um dos elementos deixados para trás pela equipa suíça, 10.ª na etapa.

Alarme em Nîmes

Após a tirada inaugural da Vuelta - já abalada pelo atentado terrorista ocorrido quinta-feira em Barcelona -, um novo incidente causou alarme no seio da competição. A estação ferroviária de Nîmes foi evacuada, após uma testemunha ter alertado a polícia de que um ou vários homens armados estariam no local. Alguns media espanhóis e britânicos chegaram a noticiar ter ocorrido um tiroteio na zona mas a informação foi desmentida pela polícia, que apenas informou que tinha sido detido um homem com uma arma falsa. Cerca de uma hora após o alerta, pelas 22.30 locais - menos uma hora em Portugal continental - a estação foi reaberta ao público.

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