"Bronze que sabe a pouco", diz Nélson Évora

Português alcançou mais uma medalha para o seu palmarés, ao conquistar o bronze nos Mundiais de Pista Coberta. "Por um centímetro se ganha, por um centímetro se perde", disse também

Nélson Évora juntou este sábado mais uma medalha ao seu vasto currículo desportivo ao conseguir o bronze no triplo salto nos Mundiais de Pista Coberta, em Birmingham.

No Twitter, o atleta agradece o apoio e diz que oferece a medalha a Portugal. No entanto, afirma que a medalha de bronze "sabe a pouco".

Nelson Évora, de 33 anos, e com uma carreira que já foi assolada por muitas lesões, bateu por sete centímetros um recorde nacional com 10 anos com 17,40 metros, a três centímetros do norte-americano Will Claye e a um do brasileiro Almir dos Santos.

"Por um centímetro se ganha, por um centímetro se perde"

"Foi uma competição boa, não me posso queixar. Todos estiveram no seu melhor, foram três centímetros que separaram o ouro do bronze. Por um centímetro se ganha, por um centímetro se perde. Não estou totalmente satisfeito, mas há que aceitar, é assim mesmo o desporto", disse à agência Lusa no final da prova.

O atleta do Sporting promete agora "levantar a cabeça, olhar para a frente e no verão aparecer mais forte ainda para poder responder a este tipo de saltos várias vezes de forma consistente".

Évora apresentou-se em boa forma, com marcas ao nível dos seus saltos de 2008, e à terceira tentativa alcançou a marca de 17,40 metros, bateu o recorde nacional de 17,33 em pista coberta que ele próprio tinha estabelecido há 10 anos atrás, em Karlsruhe.

Mesmo assim, acredita que poderia ter feito melhor.

"Senti-me bem. Estava capaz de fazer saltos bons, [mas] 'o' salto não saiu. Agora é levantar a cabeça. A época continua e é olhar para a época de verão com boas aspirações, porque a época de inverno é uma preparação para a época de verão", vincou.

Este recorde pessoal, considera, é um "bom indicativo do trabalho que se está a desenvolver e daquilo que pode vir a acontecer no futuro", nomeadamente nos Campeonatos Europeus de Atletismo em Berlim.

"[O treinador Ivan Pedroso] Ficou satisfeito, [mas] não ficou 100% satisfeito, como eu. Ele sabe e nós sabemos o que eu podia ter feito aqui hoje", disse.

Quanto ao futuro, o atleta de 33 anos não esconde que tem ambições.

"Nunca foi um segredo, eu quero o meu salto dos 18 metros e é isso que eu ambiciono. Mas antes disso tenho de ser capaz de responder a estes saltos, consolidar saltos acima dos 17,60 ou 17,70 [metros]. E aí sim, vou estar preparado para ir para a frente", garantiu

Este início de 2018 é sequência de um excelente 2017, em que fechou o pódio nos Mundiais ao ar livre, atrás dos norte-americanos Christian Taylor e Will Claye.

Agora treinado pelo cubano Ivan Pedroso, Nelson já tinha sido campeão europeu de pista coberta, então com 17,20 metros.

Para o português, o palmarés chega às nove medalhas em grandes competições.

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