Bielorrússia, a nova aventura do 'globetrotter' Maradona

Com uma carreira de treinador muito aquém da que teve como futebolista, o astro argentino assume uma nova experiência inusitada: vai ser presidente de clube bielorrusso

Transformado numa espécie de globetrotter, Diego Armando Maradona encontrou nova paragem exótica para fazer render o seu legado futebolístico. O antigo astro argentino dos relvados, por muitos considerado o melhor futebolista de sempre, não conseguiu replicar como treinador o sucesso que teve como jogador e tem-se dedicado nos últimos tempos a fazer valer o seu nome em mercados periféricos do mundo do futebol. A nova aventura já tem geografia definida: vai ser na Bielorrússia, onde Maradona se estreará nas funções de presidente, no clube Dinamo Brest.

"Sim, Diego está connosco", anunciou ontem a equipa da ex-república soviética na sua conta no Twitter. Maradona vai supervisionar o "desenvolvimento estratégico" do clube depois do Mundial da Rússia. "O lendário jogador de futebol Diego Armando Maradona assinou um contrato de três anos com o clube de futebol Dinamo Brest e tomou posse como presidente. Diego Maradona vai lidar com o desenvolvimento estratégico do clube, bem como interagir com todas as suas unidades estruturais, incluindo a academia infantil Dinamo Brest", informou a formação bielorrussa.

Também através das redes sociais, Maradona mostrou fotos a assinar contrato e a segurar a bandeira da Bielorrússia, ao lado de um dirigente do clube. "Assinei o contrato e sou presidente do Dinamo Brest. Obrigado pela confiança e por pensarem em mim", escreveu o argentino, que aos 57 anos se estreia nas funções de presidente, depois de modestas experiências como treinador que tiveram como ponto alto a passagem pela seleção da Argentina, que liderou no Mundial 2010.

Antes disso, a carreira do Maradona pós-futebolista, que durante vários anos foi condicionada pelos demónios da toxicodependência que lhe chegaram a pôr em risco a vida, teve esporádicas aventuras de natureza diversa. Depois de duas primeiras experiências como treinador, ainda nos anos 1990 (Mandiyú de Corrientes, em 1994, e Racing Club, em 1995), em 2005 voltou ao seu clube de coração, o Boca Juniors, para uma curta era como vice-presidente. Ainda nesse ano, estreou-se como apresentador de um talk show televisivo na Argentina, La Noche Del 10, cujo primeiro convidado foi o seu arquirrival histórico Pelé.

Em outubro de 2008, mesmo sem nenhuma experiência relevante anterior como treinador, Maradona fez valer o seu estatuto de ídolo incontestável na Argentina para ganhar o lugar de selecionador nacional, como solução agregadora para uma seleção em risco de falhar o apuramento para o Mundial. Sairia do cargo depois da pesada derrota com a Alemanha nos quartos-de-final (4-0).

Sem conseguir entrar nos principais mercados europeus como treinador, Maradona aceitou então a sua primeira aventura técnica no Médio Oriente, em 2011, ao comando do Al Wasl, do Dubai, mas saiu um ano depois, sem sucesso. E fez uma travessia do deserto durante cinco anos, até voltar aos Emirados Árabes Unidos, no ano passado, para treinar o Fujairah, da segunda divisão. Falhada a tentativa de promoção à liga principal, saiu por "mútuo acordo", há cerca de duas semanas.

Agora, o percurso de Diego Maradona encontrará então nova paragem na Bielorrússia, onde pela primeira vez terá a oportunidade de ser uma espécie de presidente executivo. Atualmente oitavo classificado da liga bielorrussa, onde o BATE Borisov exerce forte hegemonia (campeão há 12 temporadas consecutivas), o Dinamo Brest, fundado em 1960 sob a designação Spartak Brest, venceu a Taça da Bielorrússia na época passada e jogou as eliminatórias da Liga Europa.

"Maradona está em posição de ajudar o futebol na Bielorrússia, em particular ao Brest. Acho que é evidente", declarou uma porta-voz do clube, Olga Khijinova, acrescentando que o Dinamo já procura um apartamento para o astro. "Esperamos que passe grande parte de seu tempo em Brest", justificou. Para já, terão de esperar pelo final do Mundial da Rússia, para o qual Maradona já se comprometeu como comentador televisivo.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)