Benzema. Patinho feio fez-se herói e ajudou Real a chegar à final

Francês marcou os dois golos dos merengues frente ao Bayern Munique (2-2) e Navas segurou a final. Ronaldo e companhia vão tentar conquistar terceiro título seguido

Se Keylor Navas segurou a final já depois dos 90 minutos e por duas vezes foi Karim Benzema quem marcou os dois golos ao Bayern Munique (2-2), no Santiago Bernabéu, que ajudaram o Real Madrid a chegar à 16.ª final da Liga dos Campeões. Valeu ao campeão em título o triunfo na Alemanha (2-1) e a capacidade de sofrimento da equipa num jogo intenso e com incerteza quanto ao resultado até ao fim, que acabou com os jogadores bávaros em lágrimas no relvado.

A 26 de maio, em Kiev, Ronaldo e companhia vão tentar fazer (mais) história. O Real Madrid é a única equipa a conseguir três finais seguidas por duas vezes na história e a primeira desde a Juventus (1998). Na final (adversário é conhecido hoje, Roma ou Liverpool) a equipa madrilena vai ter oportunidade de conquistar a 13.ª orelhuda, como é conhecido o troféu da Champions, a terceira consecutiva, algo que ninguém consegue desde 1976, época do tri do Bayern.

Zidane, privado de Carvajal e Isco, apostou em Lucas Vázquez a lateral direito e Benzema no apoio a Ronaldo, além de deixar Casemiro no banco e levar a jogo Kovacic. Do outro lado, Heynckes não pôde contar com Boateng e Robben, mas ganhou capacidade ofensiva com o regresso de Alaba, trocando ainda Javi Martínez por Tolisso.

Entraram melhor os bávaros no jogo. Aos três minutos, Kimmich aproveitou da melhor forma um erro do capitão Sérgio Ramos e fez soar o alarme no Bernabéu - já no último jogo europeu tinha visto a Juventus recuperar de um 3-0 para 3-3. Mas não desta vez. Benzema empatou o jogo aos 11 minutos, numa jogada que irá correr mundo pela precisão de passe dos jogadores merengues. Foram 28 passes até ao golo, com a bola a passar por todos, menos por Keylor Navas e Cristiano Ronaldo...

O português voltou a fazer um jogo discreto, ao contrário do que é habitual frente aos bávaros. CR7 ainda obrigou Sven Ulreich a uma defesa atenta, mas ontem deu mais nas vistas pelo jogo defensivo e pelas recuperações de bola a meio--campo. Ronaldo terá oportunidade de conquistar a quinta Champions, depois de já ter levantado três pelo Real e uma pelo Manchester, em seis finais. Apenas Gento (8), Maldini (8) e Di Stéfano (7) conseguiram mais finais.

Francês aproveitou erro alemão

O jogo foi para o intervalo empatado e com a eliminatória em aberto, até que o avançado francês, muitas vezes visto como o patinho feito da equipa, voltou a ser decisivo no jogo. Aos 46 minutos, Benzema aproveitou um atraso de Tolisso para Ulreich, que o guarda-redes não agarrou, para fazer o 2-1 e colocar o Real a vencer no jogo. Nesta altura, os alemães precisavam de dois golos para virar a eliminatória e James ainda fez o 2-2, numa jogada de insistência.

O ritmo frenético de parada e resposta continuou e permitiu a Navas assumir o papel de guardião da final. Segundo a UEFA, o guardião costa-riquenho fez oito defesas, duas delas já depois dos 90 minutos e debaixo de enorme pressão ofensiva alemã, que acabou o jogo a queixar-se da arbitragem. Os lesionados Boateng e Vidal (e até a mãe de James) não pouparam o juiz nas redes sociais, reclamando dois penáltis por marcar.

Em contraste com a tristeza bávara, Navas era a imagem da felicidade após o apito final: "Estou muito feliz. Foi um jogo muito difícil. Sofremos muito, mas fizemos história e estamos na final."

Impressionante é também o registo de Zidane, que ainda não perdeu qualquer eliminatória como treinador do Real na Champions, mas preferiu enaltecer a capacidade de sofrimento da equipa e ainda os heróis Navas e Benzema.

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