Benfica conquista o título com a maior marca do Seixal

Ferro, Florentino Luís, Gedson Fernandes, Jota e João Félix sagraram-se campeões no primeiro ano na equipa principal. A estes é preciso juntar Rúben Dias, um dos indiscutíveis, que agarrou um lugar no onze já na época passada.

O 37.º título de campeão nacional do Benfica tem uma marca bastante forte da academia do Seixal, pois foi alcançado na época em que mais jogadores da formação se estrearam no campeonato nacional pela equipa principal, depois da entrada em funcionamento do Caixa Futebol Campus, em 2006/07.

Ferro, Florentino Luís, Gedson Fernandes, João Félix e Jota são o rosto do projeto idealizado pelo presidente Luís Filipe Vieira, que há alguns anos defende que o plantel principal seja maioritariamente constituído por jogadores oriundos das camadas jovens. Podiam ter sido mais dois, mas Yuri Ribeiro e Zlobin, apesar de estarem na segunda época no plantel principal não somaram qualquer minuto esta temporada no campeonato, pelo que não podem ser considerados campeões nacionais.

O ponto de viragem desta época foi a passagem de Bruno Lage para treinador principal no início de janeiro. No final desse mês, que coincidiu com o fecho do mercado, o técnico anunciou que os reforços de inverno vinham da equipa B, que havia sido treinada por ele na primeira metade da temporada. Zlobin, Ferro, Florentino e Jota deram então o tão ambicionado salto para a equipa principal.

Assim que assumiu o cargo, Bruno Lage deu de imediato um lugar no ataque a João Félix, que com Rui Vitória vinha sendo utilizado de forma intermitente, e aos poucos foi lançando os chamados "reforços" vindos da equipa B. Ferro aproveitou a oportunidade com a lesão do capitão Jardel no decorrer do dérbi com o Sporting, na Luz, a contar para a Taça de Portugal, e agarrou o lugar, formando dupla de centrais com Rúben Dias, outro jogador da formação com quem tinha jogado vários anos noutros escalões.

Florentino Luís foi lançado na história goleada de 10-0 ao Nacional, tendo no jogo seguinte se estreado como titular frente ao Galatasaray, em Istambul, onde o Benfica venceu pela primeira vez na sua história. E quando, no início de abril, Gabriel se lesionou, o jovem campeão da Europa de sub-17 e sub-19 foi o escolhido por Bruno Lage para jogar ao lado de Samaris no meio-campo. Jota estreou-se num jogo em casa com o Desp. Chaves e acabou por ter menos oportunidades, face à muita concorrência nas alas, tendo apenas feito quatro partidas.

No início da temporada, já Rui Vitória tinha lançado Gedson Fernandes, que até começou como titular, mas aos poucos foi perdendo fulgor. Ainda assim, o médio manteve-se como um jogador frequentemente utilizado a partir do banco de suplentes, contabilizando 22 jogos na I Liga.

Além destes cinco jogadores, Rúben Dias é outro dos indiscutíveis do onze de Bruno Lage, tendo conquistado a titularidade ainda na época passada com Rui Vitória e sido uma peça essencial na caminhada do Benfica para o título nacional nesta temporada.

A importância de Ederson, Lindelöf, Sanches e Guedes

Nas três temporadas anteriores foram lançados quatro jogadores no campeonato em cada uma delas. Há um ano, além de Rúben Dias, também Bruno Varela fazia parte do onze inicial, com Diogo Gonçalves e João Carvalho a serem utilizados de forma intermitente.

Em 2016/17 estrearam-se quatro jogadores, mas o médio André Horta foi o que maior protagonismo teve, sobretudo no início da época. O avançado José Gomes foi utilizado em três jogos devido à ausência de vários avançados por lesão, tendo Kalaica e Pedro Pereira sido lançados no último jogo com o Boavista para serem também campeões nacionais. Nessa época também faziam parte do plantel, Ederson Moraes e Lindelöf que eram eram titulares, enquanto Gonçalo Guedes foi bastante utilizado até janeiro, altura em que foi transferido para o Paris Saint-Germain. No plantel, então liderado por Rui Vitória, estava ainda Nélson Semedo, que não conta como jogador da formação, uma vez que chegou ao clube já com idade de sénior.

Também com grande participação de produtos do Seixal, a época 2015/16 foi a de lançamento de Ederson Moraes e Renato Sanches, que se tornaram essenciais no onze benfiquista que conquistou o título nessa temporada. Além destes, também se estrearam Nuno Santos e Clésio Baúque, que apenas fizeram um jogo na Liga, isto num plantel onde já estavam Gonçalo Guedes e Lindelöf.

Bernardo Silva e João Cancelo passam despercebidos

Nos anos anteriores, com Jorge Jesus, o lançamento de jovens era feito de forma esporádica. A época 2014/15 marcou a estreia de Gonçalo Guedes, em 2013/14 Ivan Cavaleiro ainda fez oito jogos na Liga, enquanto Lindelöf, João Cancelo e Bernardo Silva só foram utilizados no último jogo, com o FC Porto, para serem campeões.

Jesus lançou ainda André Gomes em 2012/13, que apenas fez sete jogos no campeonato nesse primeiro ano. Antes dele, o técnico três vezes campeão pelo Benfica tinha batizado Nélson Oliveira, Luís Martins e Roderick Miranda, todos sem grande sucesso.

Nas três primeiras épocas de existência do Caixa Futebol Campus, há apenas registo de um jogador da formação ter representado o Benfica no campeonato, foi ele o defesa-central Miguel Vítor, lançado pelo treinador espanhol José Antonio Camacho, em agosto de 2007.

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