Bas Dost e Jonas valem muito mais do que os muitos golos que marcam

Treinador Leonel Pontes explica ao DN como a forma de jogar do Sporting e do Benfica gira em torno dos dois avançados. E assume que a eventual ausência do benfiquista no dérbi condiciona todo processo ofensivo da equipa

Bas Dost (28 anos) e Jonas (34) são sinónimo de golos e de qualidade nas equipas do Sporting e do Benfica, respetivamente. Aliás, a identidade de jogo dos dois rivais que se defrontam neste sábado em Alvalade, a partir das 20.30, depende muito destes dois futebolistas, que representam mais do que os golos que marcam.

É essa a conclusão que se pode tirar da explicação dada ao DN pelo treinador Leonel Pontes. A propósito de Bas Dost, diz que "pode jogar em profundidade ou então como apoio frontal, atraindo os defesas adversários para depois libertar os alas, normalmente Gelson e Acuña, para aparecerem em zonas de finalização", mas uma coisa tem bem clara: "O Sporting trabalha muito para o seu finalizador e Bas Dost usufrui bastante daquilo que é o trabalho dos colegas na construção, mas também do jogo direto habitualmente iniciado em Rui Patrício para depois segurar a bola e solicitar a equipa que se move à volta dele."

Completamente diferente é a importância de Jonas no jogo do Benfica, pois Leonel Pontes destaca que o brasileiro "joga no campo todo, do meio-campo para a frente", e tem como principais valências "a maior imprevisibilidade, capacidade técnica e ainda o facto de ser bastante forte no um para um". Nesse sentido, sublinha que o melhor goleador do campeonato "baixa muito no terreno para participar na construção do jogo ofensivo e depois aparece na área, onde é mais versátil do que Bas Dost, pois finaliza bem com os dois pés e com a cabeça".

A participação de ambos no jogo das respetivas equipas está bem refletida na forma como finalizam as jogadas, mas também no número de assistências para golo que cada um deles tem. Bas Dost tem três passes para golo, enquanto Jonas tem o dobro de passes fatais nos jogos do campeonato.

Leonel Pontes considera que o jogo do Sporting acaba por ser mais padronizado, um pouco diferente daquele que é praticado pelo Benfica quando tem Jonas. E são as dúvidas em torno da utilização do brasileiro por parte de Rui Vitória no dérbi que baralham as contas dos encarnados para este jogo. O número 10 da Luz encontra-se ainda em dúvida para o duelo de sábado, depois de ter falhado os três últimos jogos devido a uma lombalgia. E Leonel Pontes lembra que sem Jonas "o Benfica muda a forma de jogar, porque a equipa fica sem as boas decisões que ele normalmente toma, reflexo de ser um jogador que pensa mais depressa do que os outros".

Assim sendo, acrescenta o antigo treinador do Marítimo e ex-adjunto da seleção, com outro jogador no lugar do brasileiro (previsivelmente o mexicano Raúl Jiménez) o jogo dos encarnados "deixa de ter tanta sequência no processo ofensivo". Na prática, "fica mais fácil para os defesas contrários, afinal a ausência do melhor jogador de uma equipa, como é o caso do Jonas, mas que no Real Madrid é Cristiano Ronaldo e no Barcelona é Messi, torna sempre a equipa mais fraca, porque são jogadores que fazem a diferença".

Menos influentes em dérbis

Uma questão curiosa que rodeia estes dois goleadores prende-se com a pouca produção ofensiva em dérbis. Têm ambos um golo marcado em duelos entre Sporting e Benfica, tendo Bas Dost apenas três jogos disputados, contra os seis de Jonas.

Leonel Pontes não acha estranho esta menor produção dos dois melhores marcadores da Liga nos grandes jogos. "O que acontece é que nestas partidas têm pela frente defesas de maior qualidade", realçou, apontando outro aspeto de grande importância: "Nestes jogos não costuma haver muitas oportunidades e quem normalmente faz a diferença é um jogador de que não se está à espera, e o resultado é muitas vezes decidido numa bola parada ou numa jogada de inspiração individual."

Ainda assim, o técnico português considera que "o trabalho defensivo das equipas, bem mais pressionantes na primeira e na segunda fase de construção do adversário, faz que estes jogadores sejam menos solicitados".

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Betinho

"NBA? Havia campos que tinham baldes para os jogadores vomitarem"

Nasceu em Cabo Verde (a 2 de maio de 1985), país que deixou aos 16 anos para jogar basquetebol no Barreirense. O talento levou-o até bem perto da NBA, mas foi em Espanha, Andorra e Itália que fez carreira antes de regressar ao Benfica para "festejar no fim". Internacional português desde os Sub-20, disse adeus há seleção há apenas uns meses, para se concentrar na carreira. Tem 34 anos e quer jogar mais três ou quatro ao mais alto nível.