Barcelona e Guardiola caem no mesmo dia. Roma consegue reviravolta épica

Grande surpresa em Itália com o feito "impossível" da Roma, nas meias-finais pela primeira vez desde 1984

Barcelona e Pep Guardiola continuam intimamente ligados, não apenas pelo passado mas sobretudo por uma ideia de futebol que transportam como legado. Ontem, num desses caprichos do destino em que o jogo é fértil, o palco mais elitista do futebol europeu de clubes "resolveu" punir essa filosofia comum e deixou cair ambos, premiando antes a valentia demonstrada por Roma e Liverpool, que garantiram o passe para as meias-finais da Liga dos Campeões.

Se a queda do Manchester City de Pep Guardiola já se perspetivava desde o jogo da primeira mão destes quartos-de-final, em que os citizens foram atropelados (3-0) pelo vendaval vermelho do Liverpool de Jürgen Klöpp - que ontem confirmou o apuramento com nova vitória, por 2-1 -, já a eliminação do Barcelona foi o grande choque da noite, com o líder destacado da Liga espanhola a deixar escapar um bilhete que parecia já validado e a permitir uma épica reviravolta da Roma, quarta classificada da Serie A.

Os romanos concretizaram a "missão impossível" que tinham pela frente e anularam os 4-1 sofridos em Camp Nou, vencendo por 3-0 e tornando-se apenas a terceira equipa na era Champions (desde 1992) a conseguir dar a volta a uma desvantagem de três golos na segunda mão - as outras foram o Deportivo da Corunha, em 2004, frente ao AC Milan (1-4, 4-0), e o próprio Barcelona, que na época passada recuperou do 0-4 em Paris com uma goleada de 6-1 ao PSG em Camp Nou. Um ano depois, é a equipa catalã a ficar mal na fotografia.

O bósnio Edin Dzeko deu início à noite histórica da Roma, adiantando a equipa italiana aos seis minutos. Já na segunda parte, De Rossi, aos 58", fez aumentar a expectativa, de penálti. E a surpresa concretizou-se mesmo aos 82", quando o grego Manolas apontou o 3-0 que deixou o Olímpico de Roma em êxtase, contrastando com o ar incrédulo de Messi e companhia - Nelson Semedo foi titular nos catalães e teve uma noite infeliz (foi quem se deixou antecipar por Manolas, no 3-0), saindo aos 84"; André Gomes entrou aos 80" para o lugar de Iniesta, pouco antes desse terceiro golo.

Para o Barcelona, que cai pela terceira época consecutiva nos quartos-de-final, foi um naufrágio histórico. Esta foi a primeira vez nas competições europeias que o Barcelona deixou fugir uma vantagem de três golos numa eliminatória (dados da conta de Twitter Mister Chip). "Assumo toda a responsabilidade e lamento pelos adeptos", resumiu um devastado Ernesto Valverde, o atual treinador do Barça.

Para a Roma, é a primeira presença nas meias-finais da principal prova europeia de clubes desde 1984.

Em Manchester, era também de uma noite épica que o City de Guardiola precisava para dar a volta ao 0-3 de Liverpool. E o rastilho da crença até só precisou de dois minutos para ser inflamado, com um golo madrugador de Gabriel Jesus. O líder da Premier League entusiasmou-se, acelerou ainda mais e apertou o cerco aos reds, mas a eficácia madrugadora não se repetiria. Ou melhor, Sané ainda fez um segundo golo perto do intervalo, depois de um remate ao poste de Bernardo Silva, mas foi (mal) anulado pelo árbitro espanhol Mateu Lahoz, que já tinha deixado Guardiola irritado noutros lances de área. O catalão não se conteve nos protestos e foi expulso na recolha aos balneários.

Na segunda metade, apareceu o inevitável egípcio Salah (43.º golo na temporada) a empatar a partida, aos 56", e a destruir a motivação do City, que ainda veria Firmino, aos 77", dar nova vitória ao Liverpool e selar o regresso dos reds às meias-finais da prova, dez anos depois. Já Guardiola, continua sem fortuna na Champions desde que deixou o Barça.