Baixas de peso marcam segundo dia da Liga Moche

Tiago Pires e Vasco Ribeiro foram eliminados precocemente na Costa de Caparica. Prova termina hoje, um dia que promete ser intenso

À semelhança do que se anda a verificar no circuito mundial de surf, que neste ano arrancou cheio de surpresas e invertendo a hegemonia esperada, também a segunda etapa da Liga Moche, que termina hoje na praia do CDS (Costa de Caparica), foi ontem marcada por vários percalços na trajetória de alguns dos habituais favoritos à vitória na competição.

A ação começou bem cedo e estendeu-se até ao final da tarde, com a organização a querer avançar ao máximo com a prova, uma vez que mau tempo e difíceis condições do mar são esperados para hoje a partir do início da tarde. Assim, realizaram-se três rondas femininas e três masculinas, que definiram as finalistas e os semifinalistas do Allianz Caparica Pro.

Vasco Ribeiro e Tiago Pires foram dois dos mártires nos quartos-de-final man-on-man, e com isso a prova de que o campeonato está cada vez mais renhido. Apesar do drama em torno destas duas baixas, surpresas parecidas já tinham ocorrido nas fases anteriores, com importantes nomes do surf nacional a caírem prematuramente na competição. Surfistas como Ivo Cação, Rúben Gonzalez, Francisco Alves, João Guedes ou João Kopke ficaram-se logo pela segunda ronda e, na seguinte, foi a vez de Marlon Lipke e Pedro Henrique, que já pertenceram à elite mundial, serem inexplicavelmente afastados.

No meio de tantos sobressaltos, quem cumpriu com as expectativas foi Frederico Morais, atual cam- peão nacional, assumindo-se assim como grande candidato ao título do Allianz Caparica Pro, prova que já venceu duas vezes. Kikas derrotou nos quartos-de-final aquele que desde 2011 é o seu maior rival na Liga, Vasco Ribeiro, com uma pontuação total de 14.00 contra os 9.75 do adversário.

Apesar de ter falhado a primeira etapa (realizada na Ericeira) por estar a treinar-se na Austrália, Frederico mostrou que as suas ambições em território nacional são claras. "O meu objetivo é ganhar e ser campeão nacional, não escondo isto. O mar não estava fácil e a maré encheu muito durante a bateria contra o Vasco. Os picos iam mudando muito e, por isso, tinha de ter dois planos para me ir adaptando à maré. Fiz as minhas duas melhores ondas em zonas diferentes da praia e depois foi gerir essa vantagem durante o tempo que faltava", disse no final o surfista.

Ainda na categoria masculina, Filipe Jervis, 13.º no ranking, protagonizou uma das surpresas do dia ao derrotar Tiago Pires também nos quartos-de-final. O resultado só ficou decidido nos últimos minutos da bateria e, na entrevista a seguir à vitória, Filipe não escondeu a sua satisfação.

"Estou com o coração a mil! Comecei bem a bateria e sinto que estive sempre na disputa com o Saca. Mas, depois, o Tiago fez aquele sete e eu sabia que a única maneira de lhe ganhar seria com um aéreo. Aquela onda veio e... saiu-me. A minha maior arma neste tipo de mar são os aéreos e sabia que só assim conseguiria ganhar ao power do Saca. É uma honra. Foi a primeira vez que competi contra ele e correu bem", explicou o surfista, que fez 13.95 pontos contra os 13.40 de Tiago. Além de Kikas e Jervis, também José Ferreira e Gony Zubizarreta, vencedor da etapa anterior realizada em Ribeira d"Ilhas, na Ericeira, se apuraram ontem para as semifinais.

Entre as meninas, quem mais brilhou ontem foi Carol Henrique. A surfista de Cascais e 4.ª classificada no ranking fez nas semifinais a melhor soma do dia, 17.00 pontos, e a melhor onda, 9.00, eliminando assim Leonor Fragoso, de Carcavelos.

Destaque ainda para Teresa Bonvalot, atual campeã nacional, que venceu na mesma fase Camilla Kemp, atual líder do ranking após a vitória na Ericeira. Ambas irão defrontar-se hoje na final, dia em que serão conhecidos os vencedores das duas categorias.

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