Estafefa portuguesa "deu tudo" e bateu o recorde nacional 4x400 metros

Filipa Martins, Cátia Azevedo, Rivinilda Mentai e Dorothe Évora retiraram 6,08 segundos ao anterior melhor registo.

A estafeta portuguesa "deu tudo" e bateu o recorde nacional dos 4x400 metros nos Mundiais de atletismo de pista coberta, em Birmingham, este sábado, correndo ainda mais rápido do que esperava.

O quarteto composto por Filipa Martins, Cátia Azevedo, Rivinilda Mentai e Dorothe Évora terminou a prova com a marca de 3.35,43 minutos, tirando 6,08 segundos ao anterior melhor registo (3.41,51 minutos), de um quarteto do Sporting.

Apesar da frustração por não ficarem no lote das seis finalistas, Filipa Martins não escondeu a satisfação. "Superámo-nos por muito, não esperávamos este tempo. Nós corremos acima de tudo a pensar no recorde nacional", disse, no final, aos jornalistas.

Numa eliminatória que incluía as equipas da Jamaica, Ucrânia e Polónia, candidatas ao pódio, o ritmo foi rápido, o que deixou as portuguesas no último lugar, atrás da República Checa, e em oitavo da geral, apenas à frente do Cazaquistão.

O quarteto luso era o menos forte dos nove que estiveram em pista, tendo chegado a Birmingham com um tempo oficial de 3.42.60 minutos, sendo que a soma dos melhores tempos do ano de cada uma das lusas era de 3.38,91.

"Todas corremos muito bem estamos felizes, acima de tudo. Foi isso que nos trouxe, os '3.35'. Trabalhámos imenso para este resultado e fomos felizes", vincou Filipa Martins.

Cátia Azevedo salientou, por seu lado, a importância de a equipa nacional incluir as mais rápidas de cada clube, o que potencia o desempenho coletivo."Em seleção, corre sempre muito bem, porque as melhores ficam juntas e quando as mulheres se juntam, só pode acontecer o melhor", disse a atleta do Sporting, que se redimiu do desempenho na véspera nos 400 metros, em que ficou aquém do desejado.

"O dia de ontem (sexta-feira) foi muito mau e quando nós acreditamos que estamos em boa forma, não vir aqui demonstrar é o pior sentimento que se pode ter. Eu desperdicei uma grande oportunidade ontem (sexta-feira) e não fiz a melhor corrida. Vim para aqui um bocadinho desolada, por isso é bom este recorde", confessou.

Quanto a Rivinilda Mentai, admitiu que também estava nervosa antes da prova, mas que o espírito de grupo fê-la querer "dar tudo" pela equipa. "Estava muito stressada na câmara de chamada, mas quando entrei na pista já não pensei nisso, pensei em dar o dar o melhor para a equipa. Fizemos uma boa marca, o que prova que podemos melhorar", afirmou.

Para Dorothe Évora, a quem coube o trecho final, este desempenho coloca um novo recorde no horizonte, se as quatro continuarem a evoluir individualmente:"Agora, o objetivo de cada uma vai ser (fazer) individualmente a preparação para o ar livre e, se der, no Campeonato da Europa em Berlim, é voltarmos a bater os nossos tempos pessoais para que o resultado final seja ainda melhor do que este.".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Falem do futuro

O euro, o Erasmus, a paz. De cada vez que alguém quer defender a importância da Europa, aparece esta trilogia. Poder atravessar a fronteira sem trocar de moeda, ter a oportunidade de passar seis meses a estudar no estrangeiro (há muito que já não é só na União Europeia) e - para os que ainda se lembram de que houve guerras - a memória de que vivemos o mais longo período sem conflitos no continente europeu. Normalmente dizem isto e esperam que seja suficiente para que a plateia reconheça a maravilha da construção europeia e, caso não esteja já convertida, se renda ao projeto europeu. Se estes argumentos não chegam, conforme o país, invocam os fundos europeus e as autoestradas, a expansão do mercado interno ou a democracia. E pronto, já está.