As lágrimas de Alan. "É um milagre de Deus, só Deus"

É o primeiro sobrevivente do acidente da Chapecoense a ter alta. Alan Ruschel chorou. E recorda o momento em que trocou de lugar no avião.

"Quando a gente chegou em Santa Cruz, a gente pegaria o voo fretado e o Cadu pediu... Eu estava sentando mais atrás, o Cadu pediu pra sentar na frente para deixar os jornalistas no fundo... Na hora eu não quis sair. Aí o Follmann ...Aí eu vi o Follmann... Ele insistiu para sentar com ele. Aí saí de trás e fui sentar com o Follmann. É a parte que eu lembro".

Alan Ruschel chorou. Chorou várias vezes. O lateral-esquerdo da Chapecoense deu este sábado a primeira conferência de imprensa. Saiu do hospital de de cadeira de rodas e antes de entrar para o carro acenou para os admiradores e jornalistas. Num estranho gesto aplaudiu os presentes. E recebeu os aplausos de quem assistia à sua saída do hospital.

A conferência de imprensa deste sábado foi marcada pela tristeza. O momento marcante surge ao minuto seis. Alan Ruschel não consegue parar de chorar.

"Não tem palavras para explicar o que estou sentindo. É uma mistura de sentimentos, uma alegria grande por poder estar aqui de novo, sentado aqui. Mas ao mesmo tempo é um luto por ter perdido (chorando muito)... por ter perdido muitos amigos. Como eu postei foto esse dia, falando que seguirei em frente, honrando os que foram morar com Deus. Honrarei seus familiares que aqui ficaram, que hoje estão sentindo a dor. Farei de tudo para voltar a jogar, com muita paciência. Mas farei de tudo para dar alegria ao Plínio, aos médicos, farei de tudo para dar alegria a esse pessoal aqui. Eu calculei três meses para calcificar a coluna, já passou um. Mais dois meses para fortalecer a musculatura. Estou só na "capa do grilo"", contou Alan Ruschel.

Versão curta

No acidente, Ruschel ficou ferido na coluna e chegou a temer-se que pudesse ficar paraplégico, tendo sido submetido a uma intervenção cirúrgica.

Ruschel foi um de três jogadores da Chapecoense que sobreviveram ao acidente, ao lado do guarda-redes Jackson Follman, que já foi amputado por baixo do joelho da perna direita, e do defesa Helio Neto, que se encontra em coma e com estado considerado crítico.

A 29 de novembro, a queda de um avião na Colômbia causou a morte a 71 das 77 pessoas que seguiam a bordo, incluindo a maioria dos jogadores da Chapecoense, dirigentes e jornalistas que acompanhavam a equipa brasileira, que se preparava para disputar a primeira mão da final da Taça Sul-americana com os colombianos do Atlético Nacional.